(POV Liah)Quarto dia na mansão e eu já decorei o jeito que a casa fica em silêncio depois das nove da noite — um silêncio espesso, de paredes grossas demais pra deixar o som de fora entrar, do tipo que eu nunca tive na vida, nem morando sozinha, nem morando casada.Hoje a sessão é de tarde, sol batendo de lado pela claraboia da sala de fisioterapia, e Christian tá deitado de bruços na maca enquanto eu trabalho a mobilização da patela com o polegar, sentindo o tecido cicatricial resistir um milímetro a cada passada. O protocolo pede paciência. Eu tenho de sobra, pelo menos pra esse tipo de coisa.— Você sempre é tão calada trabalhando? — ele pergunta, a voz amortecida pelo travesseiro da maca.— Calada é produtiva.Ele ri, baixo, e o som vibra de um jeito que eu sinto na palma da mão antes de conseguir ignorar. Continuo o movimento, contando as repetições em silêncio, ajustando o ângulo da pressão a cada ciclo, quando o celular vibra na bancada ao lado da maca.Olho de soslaio, sem pa
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