(POV Daniel)
Acordo com o coração disparado, o lençol grudado no corpo suado, a respiração entrecortada de quem acabou de correr sem sair do lugar. Três da manhã, marcador do celular confirmando o horário exato de sempre.
Sempre três da manhã. Nunca duas, nunca quatro — como se o próprio corpo já tivesse decorado o horário exato de acordar apavorado, um relógio interno cruel que se recusa a mudar de rotina há anos.
O pesadelo é sempre o mesmo, variando só nos detalhes pequenos, nunca no núcleo