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Capítulo Três — O Reencontro e o Inesperado

Matteo Giordano 

Recebi alta do hospital, mas o Doutor Ortega deixou claro os cuidados que vou precisar em casa e assim que sai, segui direto para o Hospital San Gerónimo onde o Javier havia marcado a consulta com a doutora González.

— O senhor tem certeza do que vai fazer, patrão? — meu motorista metido, pergunta me olhando pelo retrovisor.

— E qual o problema em contratar uma médica exclusiva? Você mesmo a ouviu dizer que precisa de um outro trabalho. Vou oferecer esse trabalho e bem remunerado.

O trânsito em Madri nesse horário da tarde é intenso. O barulho das buzinas e motores dos veículos tem me causado um certo desconforto após a explosão no aeroporto.

— O senhor pode contratar apenas uma equipe de enfermeiros e auxiliares. 

— Há muito tempo não me sentia tão bem perto de outra pessoa, de uma mulher. Depois do que passei com a Elena não quis arriscar viver outra dor como aquela.

Aquela mulher brincou com meus sentimentos como se eles não existissem. E agora quer fazer parte da minha vida novamente como esposa do meu irmão. 

— A doutora González não é bem o tipo de mulher que já vi o senhor sair. 

— Por que diz isso? 

— O senhor saberá quando a vir. 

Chegamos diante do hospital e eu já sinto uma coisa estranha no estomago. Uma ansiedade esquisita. E eu não consigo entender de onde isso saiu.

Me senti tão exposto naquele chão cheio de fuligens e cheiro de fumaça do aeroporto. Mas era minha alma que estava mais ferida. O corpo ferido doía tanto quanto a alma 

— Vai ficar aí sentado olhando a entrada do hospital? 

— Você está cada dia mais folgado, Javier. Acho bom manter essa boca fechada.

Entramos na recepção e me identifico. Sou levado para a parte do hospital onde estão os consultórios médicos. Logo vejo o nome de identificação na porta. 

Doutora Carmem Gonzalez.

Uma moça, acredito ser sua assistente vem em nossa direção. O Javier me ajuda a caminhar. Ainda tenho dificuldades de andar. Muitos pontos no abdômen e no braço. Tenho 1,90cm e um corpo definido por músculos, mas perdi peso durante esse tempo no hospital

Assim que a porta se abre meu coração erra uma... duas... várias batidas. 

Doutora Gonzalez de fato é muito diferente das mulheres com quem me envolvi — mesmo que superficialmente — nos últimos anos. O Javier tinha toda razão em dizer isso.

— Olá, bem-vindo. — Ela sorriu e eu continuo parado na porta, congelado. A voz dela já me tirava o sono e agora esse sorriso me desarmou inteiro.

— Por favor, podem entrar — ela se levanta da cadeira de trás da sua mesa e eu consigo vê-la por inteiro. 

Cabelos longos e ruivos. Uma pele alva e olhos verde esmeralda. Seu corpo é exuberante. Seios grandes, mas não exagerados. Quadris largos e cintura fina. Ela está usando um jaleco, porém mesmo usando algo tão formal, não esconde uma beleza que só pertence a ela.

— Boa tarde — consigo falar. Voz firme e a encarando como se quisesse entrar em sua mente e saber se ela me reconheceu.

— Senhor Matteo Giordano, sim? Sou a doutora Gonzalez, Carmen González — pergunta e se identifica, estendendo a mão para me cumprimentar.

Estendo a mãe esquerda já que na direita uso um suporte de braço cirúrgico. 

— Me desculpe... sim, sou Matteo Giordano

— Ora, não se preocupe. Estou vendo que passou por cirurgias recentes. Em que posso ajudá-lo? Venha, sente-se aqui.

Ela me mostra as poltronas diante da sua mesa. Javier me ajuda a sentar e avisa que irá me aguardar lá fora.

— Senhor Giordano...

— Matteo... pode me chamar de Matteo.

Ela parece um pouco desconcertada quando falo isso. Nem eu sei por que quero que ela — que ainda é uma estranha — me trate pelo nome.

— Tudo bem. Me diga, em que eu posso ajudá-lo.

— Bem... — Ao iniciar a conversa, senti um turbilhão de emoções me atingir. 

Olhar para ela, a mulher que tem assombrado meus pensamentos e habitado meus sonhos desde o acidente, trazia um misto de vulnerabilidade e um desejo avassalador. 

— Acabei de passar por duas cirurgias. No abdômen e no braço direito.

— O que o levou a necessidade das cirurgias? 

— Eu estava entre os feridos no atentado ao aeroporto de Madri — “e você me salvou” pensei.

Ela paralisa quando me ouve dizer isso. Será que lembrou de mim?

— Precisei retirar vários estilhaços do corpo. Os mais graves estavam no meu abdômen e no ombro e quase causou a perda definitiva dos movimentos do braço.

Ela continua me olhando. Há uma profundidade em seu olhar e me sinto totalmente desarmado diante dessa mulher. 

— Mas se já passou por cirurgias, por que me procurar agora? — ela fala, mas seu celular vibra sobre a mesa. Ela olha rapidamente e ignora a chamada.

— Posso dar uma olhada nos procedimentos que fez? — confirmei com um gesto de cabeça.

— Preciso que se acomode aqui — ela vai até uma maca disposta ali, ajeita e vem me ajudar a levantar. 

Tão perto assim, sinto o cheiro do seu perfume. Doce e embriagante. A reação do meu corpo é instantânea. Ela segura meu braço com firmeza e com gestos tão delicados ao mesmo tempo. Essas mãos que segurei com tanto medo se que me soltasse.

— Vou precisar abrir sua camisa, tudo bem? 

— Sim... — só não sei como vou reagir com as mãos dela em mim. — Isso tem me incomodado muito. 

— Imagino que sim. Ainda é muito recente e o senhor nem deveria estar assim andando de um lado para o outro. Deveria estar em casa descansando.

Ela abre os botões da minha camisa deixando meu ombro exposto. A cirurgia do abdômen é bem extensa e ela logo vê os curativos.

— Nossa, senhor Giordano... 

— Pode me chamar de Matteo, por favor.

Ela sorri e tenho vontade de pegá-la pelo pescoço e beijá-la, sentir o gosto daqueles lábios carnudos e rosados. Difícil me conter assim tão perto, ouvindo essa voz de anjo, sentindo esse cheiro de embriagante e vendo esse sorriso que me enfeitiçou.

— Matteo, não deveria estar se mexendo tanto. Seus pontos podem abrir e terá mais tempo para se recuperar.

— Eu estive lá do dia da explosão. O lugar estava um caos — por fim ela falou sobre aquele dia.

— Eu sei... — falei baixinho. — O celular dela vibra novamente sobre a mesa.

Ela vai até ele dá uma olhada rápida e o coloca emborcado na mesa. Parece ser alguém com quem não quer falar. Será que tem namorado.

— Como sabe que eu estive lá? — perguntou sem graça olhando nos meus olhos.

— Porque foi você que me salvou... — eu disse por fim.

Ela estacou por um instante. Ainda me olhando como se quisesse confirmar algo.

— É... você? — ela lembra? Ela lembra de mim? — Você é o homem ferido que não queria soltar minha mão?

— Acho que sim. Tenho certeza de que ajudou muitos outros por lá. Mas estava por perto e salvou minha vida.

— Não fiz mais que minha obrigação, senhor... Matteo. Esse é o meu trabalho e gosto muito do que faço.

Ela analisa de perto cada detalhe das cirurgias e eu acompanho seus movimentos, contendo esse desejo animal de tomá-la me meus braços.

— Não foi coincidência. Você tinha que estar lá... — agarro sua mão como fiz lá no aeroporto.

— Eu precisava vir aqui te agradecer e te fazer uma proposta...

Nesse momento a porta do consultório é aberta abruptamente e um homem entra parecendo bem aborrecido. Atrás dele Javier, já com a mão sob o paletó prestes a puxar a arma que costuma carregar. 

— Pablo! O que faz aqui? Não pode entrar aqui assim, estou...

— Me ignorando. Não atende minhas ligações e nem as mensagens — ele praticamente berra na sala.

Olha para minha mão segurando a dela, eu ainda de camisa aberta. Vejo algo semelhante a ciúmes ali. Seria ela o namorado? Nem mesmo parei para cogitar se ela era casada. Que tolo eu sou!

— Pablo, eu estou trabalhando e não tenho nada para conversar com você. Saia ou vou chamar os seguranças.

— Como não tem nada pra falar comigo? Você está magoando a minha noiva, a futura mãe do meu filho e ainda mais é sua prima. Quase uma irmã. Não tem vergonha disso?

— Esse é um problema de família, não deve ser tratado aqui. Vá embora e cuide da sua noiva.

— Você precisa aceitar que eu não te quero mais e que vou me casar com a Martina. 

Percebo que ao ouvir isso a Carmen fica tensa e sua face fica ruborizada. Ela sente vergonha e está constrangida. Dessa vez é ela quem segura minha mão com força como se me pedisse para não a deixar cair.

— Acho melhor o senhor sair. Está ofendendo a minha noiva — falei calmo, mas a voz mostrava toda a firmeza que o momento precisava.

Carmen me olha com os olhos marejados. Ela parece prestes a chorar e espantada com o que falei. 

— Parece que seu ex ainda não aceitou que te trocou por outra e você não está nem aí, amor.

— O que significa isso? — o cara se aproxima dela com fúria e o Javier já aposto puxa a arma. 

Eu faço um sinal com a cabeça para que se contenha. Ele guarda a arma, mas continua na sala. 

— Não se aproxime dela. Aceite que perdeu. Vá tomar conta da sua mulher que eu tomarei conta da minha.

Ele parece confuso. Contrariado por ver que não conseguiu intimidá-la como imaginava antes de chegar. Ele alisa os cabelos nervoso, parecendo não saber onde enfiar a cara. Talvez imaginasse que ela não tivesse ninguém. E talvez não tenha mesmo. 

Ou não tinha, porque agora encontrei a brecha pra ficar na vida dela, sendo mais que minha médica particular.

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