Capítulo Cinco — Química e Desejo

Eu aguardava ansioso pela resposta dela. Aquela tensão toda estava me deixando com dores no ombro e meu abdômen também começou a incomodar.

— Por favor — eu me sentei devagar a poltrona em frente a sua mesa. — Preciso que o meu segurança vá até o carro pegar meus remédios. Estou sentindo dores e está na hora de tomá-los.

— Deus! Eu imagino o quanto toda essa tensão pode ter provocado desconforto em você — ela vem pra perto e o seu cheiro me faz fechar os olhos e pensar como seria encostar naquela pela branca e suave dela.

— Vou pegar água pra você tomar... 

— Não! — eu seguro as mãos dela e volto a ter a lembrança e o mesmo conforto que senti no aeroporto — fique aqui. Eu vou ligar e ele traz o remédio e a água.

— Senhor... quero dizer, Matteo. Isso não faz o menor sentido. 

— Pra mim, faz todo o sentido. Você trabalha pra mim, cuida dos meus ferimentos e eu te ajudo com seu ex babaca.

Ela solta minha mão e eu volto a ter aquela estranha sensação de vazio. 

Vejo sentar-se em sua poltrona, assumindo um ar sério como quem está prestes a decidir algo que vai mudar o rumo de sua vida. E eu sei que vai, assim como mudará a minha. 

— Bem. Se eu aceitar, como faremos? Vejo que precisa descansar e ficar assim andando de um lado a outro pode piorar seu quatro e a recuperação.

Ouvir ela ponderar a possibilidade de aceitar fez meu coração acelerar os batimentos. Que merda é essa? Fiquei emocional depois dessa explosão?

— Minha cobertura já foi equipada com tudo o que é necessário para você e sua equipe — também assumo uma postura formal para não dar tanta bandeira, e ela perceba o quanto mexe comigo.

— Já mandei redigir um contrato de trabalho por tempo indeterminado. Você será muito bem remunerada e poderá montar sua equipe como quiser.  

— Acho que não será necessária uma equipe grande. Talvez um enfermeiro para ajudar com os curativos revezar comigo.

— Quero que fique instalada no meu apartamento até o fim do contrato.

— Não será necessário...

— Eu faço questão. Isso também está no contrato. É uma exigência minha e não há negociação.

Ela fica pensativa, brincando com a caneta que tem sobre sua mesa. Fez algo que me deixa salivando. Ela morde o canto dos lábios e faz um biquinho que me deixa de pau duro.

Me mexo na poltrona e acabo gemendo devido a dor e o desconforto no braço e no abdômen.

— Está se sentindo muito mal. Vou atrás dos eu segurança. Você nem pediu o remédio ainda. — Se levanta novamente e vai até a porta, mas ates dela abrir eu resolvo colocar mais pressão.

— O que decidiu? — vou logo direto ao ponto, mesmo sentindo dor — preciso ir embora e descansar.

— É verdade. — Ela anda pela sala, se vira me minha direção, com as mãos enfiadas no bolso do jaleco — Eu vou aceitar. Quando posso começar?

Dou um sorriso de canto. Não queria demonstrar a satisfação de que sentia naquele momento.

— Pode começar agora mesmo. Vamos para a minha cobertura. 

— Preciso falar com o hospital e pedir pra me substituírem aqui no consultório e...

— Não se preocupe. O diretor do hospital já está ciente da sua saída.

Ela fica de boca aberta sema creditar no que acabou de ouvir.

— Você já tinha tudo armado? 

— Eu falei que não aceitaria um não como resposta.

...

No final daquela tarde, Carmen já estava em casa organizando suas coisas para se instalar no apartamento do homem que apareceu do nada e estava mudando toda a dinâmica da sua vida.

— Por que você está arrumando essas malas? — sua mãe pergunta, estranhando a atitude da filha

— Vou morar com o meu namorado — respondeu e continuou arrumando a mala de costas pra ela. Não queria que a mãe percebesse que era uma meia verdade.

Não era para casa de um namorado e sim de um paciente, mas o Matteo exigiu que mantivessem a farsa para a família dela. E pra quem mais viesse a interessar. Ela não sabia que Matteo tinha intensão de usá-la para enganar a própria família.

— De onde saiu esse namorado do nada, Carmen? Que história sem pé nem cabeça é essa?

— Ora, Dona Dolores, esses últimos meses a senhora só tem olhos para a sua sobrinha e o noivo dela. Mal percebeu que vivi minha vida e segui em frente. A senhora mesma me pediu pra fazer isso.

Sua mãe desconfiada que é, continua questionando a filha em busca de mais informações. 

— De onde ele é? Por que nunca o trouxe aqui? Essa história está muito mal contada.

— Sou adulta, madre. Não tenho que ficar falando tudo o que faço e com quem faço. O Matteo é um homem bom e não tenho que ficar mostrando minha vida pessoal pra ninguém.

Ela termina de fechar a última mala e começa a levar tudo para a sala.

— Carmen González! Eu sou sua mãe e não vou permitir que você saia de casa dessa maneira, sem me dar explicações plausíveis. 

Javier já a aguardava na sala. Ele percebeu o clima tenso entre mãe e filha e resolveu agilizar as coisas.

— Já está pronta Sta. González. Podemos ir? — pergunta já pegando uma das malas da doutora que estava virando a cabeça do seu chefe.

— Pode levar essas duas malas, Javier. Já estou indo, obrigada.

Carmen se despede de uma mãe furiosa e não faz ideia de que está a caminho de uma vida que ela e muito menos sua família tóxica jamais imaginou.

...

Eu aguardava ansioso pela chegada dela em meu apartamento onde vivi esses últimos anos sozinho, na companhia apenas dos meus pensamentos e lembranças de tempos bons e ruins. Depois desse atentado tenho refletido sobre minha vida e escolhas.

Ter a Carmen aqui me traz boas expectativas. Ainda não faço ideia onde isso vai dar. Mas não vou deixá-la ficar longe. Ao menos até eu entender o estou sentindo.

Ouço vozes vindo da sala. Estou em minha suíte onde fiquei descansando após ser medicado por ela. As dores diminuíram o incomodo, mas ela não precisa saber disso.

— Com licença! — ela entra no meu quarto e não consigo conter a surpresa em vê-la vestindo um vestido floral, que destacava o tom de sua pele clara e o vermelho fogo do seu cabelo.

— Como está o meu único paciente? — o sorriso que ele mantinha no rosto era um convite ao pecado. 

Eu, com meus 32 anos, e uma vida regada de luxos nos últimos tempos, nunca estive tão desconcertado diante de uma mulher, que em nada parecia com aquelas com que saí e realizei minhas fantasias.

— Ainda sinto dores e preciso de um banho. 

Ela vem até próximo a cama e olha o prontuário que estava sob a mesinha ao lado, onde continha as informações e horários estabelecidos. Tem um ar profissional em seus atos.

— Vou preparar o seu banho. Onde fica o banheiro? — ela pergunta e eu aponto em direção à porta onde fica o banheiro da suíte.

Ela vai até o banheiro e eu fico admirando a mulher que veio colorir esse lugar preto, cinza e branco.

— A banheira está enchendo. Vou te ajudar a tirar a roupa. Seu próximo remédio será em duas horas.

Fico paralisado só de imaginar as mãos dela me tocando novamente e dessa vez me despindo. Porra! Eu vou me conter? 

Ela vem até a cama e começa a tirar o apoio do braço. 

O perfume de Carmen me atingiu antes mesmo do seu toque. Era uma mistura perigosa: a doçura inocente da baunilha misturada a algo almiscarado, carnal, que invadia meus pulmões e nublava meu raciocínio. 

Observei seus dedos ágeis abrindo os botões da minha camisa. A concentração dela me irritava; eu queria aquela postura profissional estilhaçada.

— Preciso ser cuidadosa com os pontos no abdômen — ela murmurou, a voz vibrando um tom abaixo, arrastando-se pela minha pele.

Quando o tecido se afastou, senti o choque. As pontas dos dedos dela, frias e macias, roçaram meu peito quente. Tencionei na hora. Um rosnado baixo escapou da minha garganta — não era dor, era fome pura. 

Ela parou a mão sobre meu coração, que batia contra as costelas como um animal enjaulado tentando romper a pele.

— Seu coração está muito acelerado, Matteo... — Carmen subiu o olhar. O biquinho teimoso de antes derreteu em lábios entreabertos, destacados por um vermelho provocante.

— Você sabe exatamente por que, doutora — respondi, minha voz saindo rouca pelo desejo.

Não esperei. Usei minha mão boa para cravar os dedos na nuca dela, acabando com a distância. Carmen hesitou por um milésimo de segundo antes de desmoronar contra mim, deixando o prontuário cair no chão. 

O beijo foi uma colisão. O gosto do batom dela era doce, um contraste violento com a minha língua que invadiu sua boca, reivindicando domínio.

Ela gemeu baixo, um som que fez efeito direto no meu pau. As mãos dela, antes contidas, agora exploravam a textura do meu corpo. Sentir a palma dela, tão suave e delicada, traçando o relevo bruto dos meus músculos e a aspereza das minhas cicatrizes me deixava insano. 

Puxei-a pela curva do quadril, colando seu corpo macio sob o vestido floral à minha rigidez. A dor no abdômen era apenas um ruído de fundo, abafada pela adrenalina e pelo tesão que queimava.

— Eu disse que você moraria aqui — sussurrei contra seus lábios, descendo os beijos pelo seu pescoço, onde o perfume era mais forte. — Mas não disse que seria em quartos separados.

Carmen jogou a cabeça para trás, expondo a garganta, os olhos perdidos. — Você é um homem perigoso, Matteo. O que você pretende com isso?

— Agora, a única coisa que pretendo é devorar você que é a única cura que eu aceito e preciso agora.

— Seus ferimentos, você não pode fazer esforço — ela diz tentando conter o próprio desejo, sem muito sucesso.

— A médica aqui é você, cigana. Tome conta de mim e não me machuque.

Minha mão buscou a bainha do vestido dela, subindo pelas coxas sedosas, enquanto sentia os dedos dela abandonarem qualquer cuidado médico para buscar o fecho da minha calça. 

Ela queria sentir o que aquele biquinho e o cheiro provocante tinham despertado em mim. E eu estava mais do que pronto para mostrar.

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