Mundo ficciónIniciar sesiónSelena Moon não passava de uma ômega. Sem família, sem posição e sem poder, ela acreditou ter recebido uma bênção quando foi escolhida como companheira de Kael Blackthorn, o poderoso Alfa da Alcateia Lua Negra. Por anos, ela o amou incondicionalmente. Entregou seu coração. Entregou sua lealdade. E lhe deu o maior presente de todos: um filho. Mas o amor não foi suficiente para vencer a ambição. Seduzido pela promessa de mais poder e manipulado por aqueles que desejavam controlar o reino, Kael escolheu outra mulher. Quando mentiras foram plantadas contra Selena, ele não apenas a rejeitou diante de toda a alcateia como também a condenou a um destino cruel. Acusada de traição, torturada e separada do próprio filho, Selena foi abandonada à morte além das fronteiras do território, enquanto o homem que deveria protegê-la virava as costas sem sequer ouvir sua versão da história. Ferida, quebrada e à beira da morte, ela é encontrada por Lucien Draven, o temido príncipe alfa do Reino Sombrio. O que Selena não sabe é que Lucien a procura há anos. Muito antes de Kael entrar em sua vida, ela já havia sido prometida a ele por um acordo firmado entre famílias reais. Ela nunca foi uma simples ômega. Ela é a filha desaparecida do Rei Lykan, herdeira legítima do trono de todos os lobisomens. Enquanto Selena desperta para sua verdadeira identidade e luta para recuperar o filho que lhe foi arrancado, Kael descobre a verdade que destruirá tudo o que construiu. A mulher que ele humilhou era uma princesa. A companheira que abandonou era sua única família. Agora, com o reino à beira da guerra, Kael fará qualquer coisa para reconquistar Selena. Mas algumas feridas são profundas demais. E a futura rainha talvez nunca perdoe o homem que a deixou morrer.
Leer másO cheiro de pão recém-assado preenchia a cozinha da mansão Blackthorn.
Selena retirou a última bandeja do forno e colocou sobre a bancada. O calor queimava suas mãos. Mas ela estava acostumada. Fazia anos que passava as manhãs servindo a alcateia. Mesmo sendo a companheira marcada do Alfa. Mesmo sendo a mãe do herdeiro dele. Nada disso parecia importar. — Mamãe! Uma pequena figura surgiu correndo pela porta. Os cabelos negros estavam completamente bagunçados. Os olhos dourados brilhavam como duas luas. Selena sorriu imediatamente. Toda dor desaparecia quando olhava para ele. — Aiden... O menino de cinco anos se jogou em seus braços. — Eu sonhei que virei um lobo enorme! Ela riu. — É mesmo? — Enorme! Maior que o papai! — Isso é impossível. — Não é não! Aiden cruzou os braços. — Eu vou ser mais forte que ele. Selena beijou sua testa. — Tenho certeza que vai. O garoto sorriu orgulhoso. Naquele momento, a porta da cozinha se abriu. O ambiente inteiro pareceu mudar. Kael Blackthorn entrou. Alto. Imponente. Poderoso. O Alfa Supremo da Alcateia Lua Negra. As servas imediatamente abaixaram a cabeça. Os guardas ficaram em posição. Selena sentiu o coração acelerar. Mesmo depois de tantos anos. Mesmo depois de tudo. Ela ainda o amava. Kael olhou rapidamente para ela. Depois para o filho. — Aiden. O menino correu até ele. — Papai! Kael o ergueu com facilidade. Um raro sorriso apareceu em seu rosto. Selena observou aquela cena em silêncio. Porque era exatamente por aqueles momentos que ainda permanecia ali. Por Aiden. Pela esperança de que a família deles pudesse ser feliz. Mas o sorriso desapareceu tão rápido quanto surgiu. Uma mulher entrou logo atrás dele. Vestido vermelho. Cabelos dourados. Olhar arrogante. Violeta Ravencrest. Filha do Conselheiro Supremo. A mulher que estava aparecendo cada vez mais na mansão. A mulher que fazia Selena se sentir desconfortável. — Bom dia, Alfa — disse Violeta. Kael assentiu. Ela então pousou a mão sobre o braço dele. Como se tivesse esse direito. Como se fosse íntima. Os dedos de Selena apertaram a bancada. Seu lobo se agitou. Incomodado. Violeta percebeu. E sorriu. Um sorriso cruel. Calculado. — Que cheiro agradável — comentou ela. — Não sabia que a companheira do Alfa ainda trabalhava na cozinha. Algumas servas trocaram olhares. Selena sentiu o rosto esquentar. Violeta sabia exatamente o que estava fazendo. — Eu gosto de cozinhar para minha família. — Claro. A outra mulher soltou uma risada. — Algumas pessoas nascem para liderar. Outras para servir. O silêncio caiu sobre o ambiente. Kael ouviu. Kael entendeu a provocação. Kael sabia que aquilo era uma humilhação. Mas não disse nada. Nem uma palavra. O coração de Selena afundou. Porque o silêncio dele machucava mais do que qualquer insulto. Aiden percebeu a tensão. — Mamãe fez torta de mel. Kael finalmente olhou para ela. — Deixe no meu escritório mais tarde. Apenas isso. Nenhum agradecimento. Nenhum sorriso. Nenhum carinho. Como se ela fosse apenas mais uma funcionária da mansão. Ele entregou o filho novamente ao chão. — Tenho assuntos importantes para resolver. Violeta acompanhou seus passos. Mas antes de sair, virou-se para Selena. E sorriu novamente. Aquele sorriso parecia uma promessa. Uma ameaça. Uma vitória antecipada. Quando os dois desapareceram pelo corredor, Aiden voltou para junto da mãe. — A moça loira não gosta de você. Selena ficou surpresa. — Por que diz isso? — Porque ela sempre faz cara feia quando olha para você. As crianças percebiam tudo. Mais do que os adultos imaginavam. Ela acariciou os cabelos do filho. — Não se preocupe com isso. — Papai gosta dela? A pergunta atingiu seu peito como uma lâmina. Ela demorou para responder. — Seu pai gosta de muitas pessoas da alcateia. — Mas gosta dela como gosta de você? O sorriso de Selena vacilou. Ela não sabia responder. Porque aquela dúvida vinha crescendo dentro dela havia meses. E cada dia parecia mais difícil ignorá-la. Naquela noite, após colocar Aiden para dormir, Selena caminhou sozinha pelos jardins da mansão. A lua cheia iluminava as árvores. O vento carregava o cheiro da floresta. Normalmente aquilo a acalmava. Mas não daquela vez. Seu lobo estava inquieto. Agitado. Como se sentisse algum perigo se aproximando. Então veio a dor. Uma pontada violenta atravessou sua marca. Selena levou a mão ao pescoço. O ar faltou. Outra pontada. Mais forte. Seu coração começou a disparar. O vínculo. Era o vínculo. Algo estava acontecendo com Kael. Ela fechou os olhos. Tentando entender. E então sentiu. Não era medo. Não era raiva. Não era preocupação. Era desejo. Um desejo intenso. Ardente. A emoção atravessou o vínculo como fogo. O sangue desapareceu de seu rosto. — Não... As pernas enfraqueceram. Ela conhecia aquela sensação. Toda companheira conhecia. Aquele nível de conexão só acontecia quando dois parceiros compartilhavam intimidade. Lágrimas surgiram instantaneamente. — Kael... A dor aumentou. Seu lobo começou a uivar dentro de sua mente. Ferido. Desesperado. E então ela ouviu. Uma risada feminina. Suave. Provocante. Familiar. Violeta. O mundo pareceu parar. Selena levou a mão à boca. As lágrimas escorreram sem controle. Seu companheiro. O homem que jurou protegê-la. O pai de seu filho. Estava nos braços de outra mulher. E a lua, silenciosa acima dela, parecia testemunhar o início da destruição de tudo o que ela acreditava possuir.Assim que a última palavra ecoou pelo templo, o silêncio foi substituído pelo som de dezenas de espadas deixando suas bainhas.Kael colocou-se imediatamente diante de Aiden.Lucien fez o mesmo pelo lado oposto.O rei aproximou-se de Selena e das outras filhas.O Guardião Ancestral ergueu a cabeça e um rosnado profundo percorreu todo o salão.As figuras mascaradas permaneciam imóveis sobre as colunas.Nenhuma demonstrava intenção de atacar.Pareciam esperar uma ordem.A voz voltou a ecoar.Calma.Segura.— Não precisam ter medo.Não vim matar o menino.Selena estreitou os olhos.— Então apareça.Uma breve risada respondeu.— Ainda não.A névoa começou a se reunir sobre o altar principal.Lentamente, tomou a forma de um homem.Não era um corpo verdadeiro.Era apenas uma projeção feita de fumaça escura.Mesmo assim, sua presença fazia o ar parecer pesado.Vestia um longo manto negro bordado com fios dourados.O rosto permanecia escondido por uma máscara branca, completamente lisa, sem qu
O caminho de pedras permanecia aberto sobre o lago.A água brilhava como um espelho prateado, refletindo a lua escondida atrás das nuvens.Ninguém se movia.A voz vinda do templo ainda ecoava entre as colunas antigas.— Apenas aqueles que carregam a verdade podem atravessar.Os demais... morrerão antes de alcançar a outra margem.Lucien apertou o cabo da espada.— Quem está falando?Nenhuma resposta.Apenas o silêncio.O Guardião Ancestral caminhou até a beira do lago.Seus olhos dourados permaneceram fixos no templo.— Não é uma pessoa.Arkan compreendeu imediatamente.— É a própria magia do santuário.O rei aproximou-se.— Um encantamento?— Mais do que isso.Respondeu o velho sacerdote.— Os antigos templos não protegiam tesouros.Protegiam intenções.Selena observava o caminho.Seu coração permanecia tranquilo.Não havia medo.Apenas uma estranha sensação de que aquele lugar já a conhecia.Aiden soltou a mão da mãe.Sem hesitar, deu o primeiro passo sobre as pedras.Todos prendera
As cinzas do homem mascarado desapareceram com o vento.Nenhum vestígio.Nenhum corpo.Era como se ele jamais tivesse existido.O silêncio tomou conta da clareira.Até os espíritos da floresta haviam parado de cantar.Arkan permanecia imóvel.Os olhos fixos no pequeno monte de cinzas espalhado entre as raízes.— Eu deveria ter percebido...O rei aproximou-se.— Percebido o quê?O velho sacerdote respirou profundamente.— Durante anos procurei respostas nos pergaminhos da Lua. Passei tanto tempo estudando o Vazio que ignorei aqueles que caminhavam entre os homens.Lucien cruzou os braços.— Você conhece essa Ordem?— Apenas através de fragmentos.Arkan abaixou-se e desenhou um símbolo na terra.Três luas formando uma espiral.O mesmo desenho encontrado na máscara.— Antes da queda do Reino da Lua existiam três grandes ordens.A Ordem da Lua.A Ordem dos Guardiões.E a Ordem do Eclipse.Lyanna observava o desenho.— O que eles faziam?— Diziam proteger o conhecimento.Mas, com o passar
A trilha aberta pela floresta parecia ter acabado de nascer.As árvores gigantescas afastavam lentamente seus galhos, permitindo que um único caminho surgisse entre as raízes antigas. A luz que saía da marca de Aiden continuava apontando para o interior da mata, agora muito mais intensa.O Guardião Ancestral deu o primeiro passo.— Não parem por nenhum motivo.O rei observou o enorme lobo.— Você conhece o que existe adiante.O Guardião permaneceu em silêncio por alguns instantes.Depois respondeu:— Conheço o suficiente para saber que até eu posso ser enganado naquele lugar.Arkan sentiu um arrepio.Se até o Guardião demonstrava cautela, significava que estavam entrando no território mais antigo do mundo.Nas copas das árvores, dezenas de olhos observavam o grupo.Nenhum deles pertencia a animais.Figuras vestidas com mantos escuros moviam-se entre os galhos sem produzir qualquer som.Todos usavam a mesma máscara dourada.No centro deles estava o homem que espionara a família momento
Último capítulo