Início / Lobisomem / A Ômega Esquecida do Rei Lykan / Capítulo 5 — O Segredo Enterrado
Capítulo 5 — O Segredo Enterrado

Os dias seguintes se transformaram em um tormento silencioso.

Selena continuava desempenhando suas funções como Luna.

Continuava cuidando de Aiden.

Continuava sorrindo quando alguém a observava.

Mas por dentro, estava se despedaçando.

As visões da Deusa não haviam parado.

Pelo contrário.

Estavam ficando mais frequentes.

Mais intensas.

Mais dolorosas.

Agora elas surgiam sem aviso.

Enquanto caminhava pelos corredores.

Enquanto preparava o café da manhã.

Enquanto penteava os cabelos de Aiden.

Pequenos fragmentos apareciam diante de seus olhos.

E todos eles apontavam para a mesma direção.

Traição.

Conspiração.

Abandono.

Naquela manhã, Selena estava organizando alguns documentos da alcateia quando uma nova visão a atingiu.

Tão repentina que ela precisou apoiar a mão sobre a mesa.

A imagem surgiu diante dela.

Kael.

Violeta.

O escritório do Alfa.

Os dois estavam próximos demais.

Violeta segurava uma taça de vinho.

Kael observava alguns mapas.

— Ainda não entendo por que ela continua aqui.

A voz de Violeta era irritada.

— Porque ainda não chegou o momento.

— Você prometeu que ela sairia do caminho.

Kael ergueu os olhos.

— E vai sair.

— Quando?

— Na Assembleia.

A visão desapareceu.

Selena precisou respirar fundo.

Seu peito queimava.

Seu coração também.

Não havia mais dúvidas.

Não havia mais espaço para desculpas.

Kael estava planejando tudo.

Consciente.

Lúcido.

Frio.

E isso era pior do que qualquer mentira.

Porque significava que ele estava escolhendo destruí-la.

Todos os dias.

Naquela tarde, algo estranho aconteceu.

Aiden voltou das aulas correndo.

Seu rosto estava vermelho de raiva.

Os olhos dourados brilhavam intensamente.

— Mamãe!

Selena se ajoelhou imediatamente.

— O que aconteceu?

— Eu bati no Theo.

Ela arregalou os olhos.

— Você o quê?

— Ele falou uma coisa horrível.

— Que coisa?

O menino apertou os punhos.

— Ele disse que a filha do conselheiro vai virar Luna.

O coração de Selena afundou.

— Aiden...

— Eu mandei ele calar a boca.

As lágrimas surgiram nos olhos do garoto.

— Você é a Luna.

Você!

Selena sentiu vontade de chorar.

Mas não podia.

Não diante dele.

Ela o abraçou.

Forte.

Muito forte.

— Escute uma coisa.

Aiden enterrou o rosto em seu pescoço.

— Não importa o que as pessoas digam.

Você entende?

— Não.

— O que importa é que eu amo você.

O menino soluçou.

— E o papai?

A pergunta veio como uma lâmina.

Selena fechou os olhos.

Por um breve momento.

Apenas para reunir forças.

— Seu pai também ama você.

Mas enquanto pronunciava aquelas palavras, algo dentro dela sussurrava uma dúvida terrível.

Será que isso continuaria sendo verdade quando Kael alcançasse tudo o que queria?

Naquela noite, Kael chegou tarde.

Muito tarde.

Aiden já estava dormindo.

A mansão estava silenciosa.

Selena encontrava-se sentada na varanda quando ele apareceu.

Por alguns segundos, nenhum dos dois falou.

O vento balançava seus cabelos.

A lua iluminava o jardim.

Tudo parecia tranquilo.

Mas a tranquilidade era apenas uma ilusão.

— Você está me evitando.

A voz de Kael rompeu o silêncio.

Selena continuou olhando para a floresta.

— Estou?

— Sim.

Ela soltou uma risada amarga.

— Talvez eu esteja cansada.

— De quê?

Finalmente virou o rosto.

Os olhos deles se encontraram.

— De ser tratada como um objeto.

Os músculos do maxilar dele se contraíram.

— Não comece.

— Não comece?

A incredulidade escapou em sua voz.

— Você anunciou um casamento político diante da alcateia inteira.

— Eu expliquei os motivos.

— Não.

Ela levantou-se.

— Você explicou os benefícios.

Existe uma diferença.

O silêncio caiu entre eles.

Kael parecia irritado.

Mas também parecia desconfortável.

Como alguém que não queria ter aquela conversa.

— Isso é maior do que nós.

— Sempre existe alguma coisa maior do que nós.

A resposta saiu imediatamente.

— A alcateia.

O conselho.

O poder.

As alianças.

Sempre existe alguma desculpa conveniente.

Os olhos dele escureceram.

— Você não entende o peso da liderança.

— Talvez porque eu nunca tenha sido tratada como parceira.

A frase o atingiu.

Ela percebeu.

Porque durante alguns segundos ele não respondeu.

E naquele breve silêncio, Selena enxergou algo.

Não culpa.

Mas conflito.

Como se uma parte dele soubesse que ela estava certa.

Infelizmente, a ambição parecia falar mais alto.

— Faça o que quiser.

Kael virou-se.

— Mas as decisões já foram tomadas.

E foi embora.

Sem olhar para trás.

Sem pedir desculpas.

Sem tentar consertar nada.

Selena observou sua silhueta desaparecer.

E sentiu mais uma parte de seu coração morrer.

Na mesma madrugada, a Deusa voltou.

Dessa vez, Selena não precisou ir até o lago.

Ela acordou com uma luz prateada preenchendo seu quarto.

O ar parecia diferente.

Mais pesado.

Mais antigo.

Mais poderoso.

Quando abriu os olhos, encontrou uma figura feminina parada próxima à janela.

Seu corpo era feito de luar.

Seu rosto parecia mudar constantemente.

Belo.

Assustador.

Divino.

Selena sentou-se imediatamente.

— Deusa...

— O tempo está acabando.

A voz ecoou pelo ambiente.

— O que significa isso?

A entidade estendeu uma das mãos.

A luz explodiu.

E uma nova visão surgiu.

Dessa vez muito mais antiga.

Muito mais distante.

Selena viu um castelo.

Enorme.

Majestoso.

Construído em prata branca.

Milhares de lobos ajoelhavam-se diante de um trono.

No centro encontrava-se um rei.

Poderoso.

Imponente.

Seus cabelos eram negros.

Seus olhos dourados.

Estranhamente familiares.

Ao lado dele estava uma rainha.

E nos braços da rainha havia um bebê.

Uma menina.

A visão mudou.

Agora o castelo estava em chamas.

Gritos ecoavam.

Sangue cobria os corredores.

Soldados corriam.

Lobos lutavam.

Uma guerra.

Uma mulher fugia carregando a mesma criança.

A bebê.

A menina real.

Ela corria desesperadamente pela floresta.

Tentando escapar.

Tentando salvar a criança.

Então uma flecha atravessou seu peito.

A mulher caiu.

Mas antes de morrer conseguiu esconder a bebê dentro de uma cesta.

A correnteza de um rio levou a criança para longe.

Muito longe.

Selena observava tudo sem conseguir respirar.

— Quem é ela?

A voz saiu quase inaudível.

A Deusa respondeu:

— Uma princesa perdida.

O coração dela acelerou.

— O que aconteceu com ela?

— Ela sobreviveu.

A visão mudou novamente.

A cesta apareceu sendo encontrada por um casal simples.

Uma loba.

Um ferreiro.

Pessoas humildes.

Boas.

Eles acolheram a criança.

Criaram-na como filha.

Amaram-na.

Protegeram-na.

Selena começou a tremer.

Porque estava reconhecendo aquela história.

Reconhecendo detalhes.

Reconhecendo rostos.

Reconhecendo memórias.

Aquela casa.

Aquela vila.

Aquele casal.

Eram seus pais adotivos.

As lágrimas escorreram.

— Não...

A Deusa não respondeu.

Apenas continuou mostrando.

Selena viu o casal morrer anos depois.

Viu-se sendo levada para a Alcateia Lua Negra.

Viu sua vida inteira.

Como se alguém estivesse abrindo um livro.

Página por página.

Capítulo por capítulo.

Até que a visão desapareceu.

O quarto voltou ao normal.

Mas Selena permanecia imóvel.

Com o coração disparado.

— Aquela menina...

Sua voz falhou.

— Sou eu?

A Deusa a observou em silêncio.

Então respondeu:

— Sim.

O mundo pareceu parar.

— Não...

— Você foi escondida para sobreviver.

— Isso não é possível.

— É a verdade.

As lágrimas não paravam de cair.

— Quem eram meus pais?

A entidade caminhou até ela.

A luz tornou-se mais intensa.

Mais brilhante.

Mais poderosa.

— O sangue dos reis corre em suas veias.

Selena sentiu o coração disparar.

— Reis?

— O rei que perdeu sua filha nunca parou de procurá-la.

A respiração dela ficou presa.

— Onde ele está?

— Mais perto do que imagina.

A resposta foi acompanhada por outra imagem.

Um homem montado sobre um enorme lobo negro.

Olhos dourados.

Armadura escura.

Poder absoluto.

O mesmo homem que ela havia visto na praça.

O mesmo homem das visões.

O estranho.

A Deusa sorriu.

Um sorriso enigmático.

— O destino está conduzindo vocês um para o outro.

E antes que Selena pudesse fazer mais perguntas, a luz desapareceu.

Ela ficou sozinha novamente.

Sentada na cama.

Com lágrimas no rosto.

Com o coração acelerado.

Com a mente em caos.

Porque tudo aquilo mudava sua vida

Mudava sua história.

Mudava quem ela acreditava ser.

E, pela primeira vez desde que Kael começou a destruí-la, surgiu uma pergunta mais forte do que a dor.

Quem era o homem de olhos dourados?

E por que o destino parecia determinado a colocá-lo em seu caminho?

Continue lendo este livro gratuitamente
Digitalize o código para baixar o App
Explore e leia boas novelas gratuitamente
Acesso gratuito a um vasto número de boas novelas no aplicativo BueNovela. Baixe os livros que você gosta e leia em qualquer lugar e a qualquer hora.
Leia livros gratuitamente no aplicativo
Digitalize o código para ler no App