Mundo de ficçãoIniciar sessãoLorena perdeu os pais quando tinha doze anos e seu irmão a criou. Ele era rude e machista, a fazia de empregada e cozinheira da casa. Lucas vivia dizendo que ela era muito franzina e quando se transformasse, seria uma ômega. Ela fez 16 anos, a idade da mudança, mas sua loba não saiu e seu irmão passou a escondê-la por vergonha. Ela aguentou até eles mudarem de Alcateia e ela completar 21 anos. Fugiu em uma noite chuvosa e quando a lua saiu, lá estava a bela loba negra. Mas assim que se transformou, foi capturada pelo Alfa da Alcateia para onde seu irmão a trouxe, mas não a apresentou. Aí começou a verdadeira história da vida daquela que parecia fraca, mas conquistou todos que se aproximaram dela, exceto seus inimigos, claro, qual história não tem um ou mais, antagonistas?
Ler maisAs ruas de Londres estavam vazias. A escuridão ocultava as vielas e a chuva fina que caia, tornava a noite, além de escura, lúgubre. Lorena andava rapidamente, encolhida dentro de uma capa com capuz, fugindo da chuva, ou quem sabe, do que se escondia nas sombras.
Tinha vindo para a cidade enevoada e fria, acompanhando seu irmão e estava muito desgostosa com essa mudança. Sentiu-se em perigo desde que chegou e saiu de casa na noite fria, por sentir que algo não estava certo. Conseguiu sair das vielas e chegar à beira do rio Tâmisa, em uma área recém reformada. Encostou-se em uma árvore, protegendo-se da chuva e pegou o celular, que não parou de vibrar durante todo o tempo que caminhou até ali. As mensagens eram o que já esperava, seu irmão Lucas, perguntando onde ela estava. — Idiota, você só sentiu falta da comida na mesa. Vá se danar! — falou para o telefone, com raiva. Lucas estava segurando o celular, esperando resposta de Lorena, mas ela não respondeu e um pouco depois, sentiu um choque tão forte vindo do celular, que tremeu e deixou o aparelho cair e quebrar. — O que foi isso, cacete? — reclamou, assustado. As lágrimas escorreram pelo rosto de Lorena. Estava farta de ser maltratada, de servir de criada e ter que fugir dos amigos do irmão para não ser estuprada. Seu corpo estava desnutrido pela má alimentação e cheio de hematomas das surras que levava quando não dava conta do serviço. Sua mãe sempre disse para não usar seu poder para pouca coisa e esperar sempre o momento certo. Suas roupas estão rotas de tão usadas e a capa que a protegia no momento, não era dela, roubou da porta da casa dos vizinhos. Ouviu os cães da redondeza latindo incessantemente, puxou o ar e sentiu o cheiro forte dos lobos. Os cães sentem e avisam uns aos outros sobre o perigo chegando. — Só me faltava essa… A chuva parou. Olhou para o céu, viu as nuvens se dispersando e a claridade azulada dos raios lunares, chegando até ela. Saiu da sombra da árvore e foi para debaixo da luz lunar. Sentiu os lobos se aproximando e um uivo alto e forte, que chamava sua loba, ao mesmo tempo que a dor invadiu seus ossos. — Oh, estou me transformando. Por quê só agora? A dor era intensa e ocultou-se entre a vegetação, para não ser vista. Os lobos chegaram e ela percebeu que não era seu irmão e nem ninguém que conhecesse. A transformação se completou e ela já não era uma jovem pequena e fraca e sim, uma loba, embora magra, alta e maior do que os lobos que chegaram. Não dava mais para se ocultar e todos a viram. Eles uivaram alto, avisando o Alfa, que, rapidamente, chegou por trás dela e pulou, prendendo-a sob seu corpo pesado e bem maior que o dela. A mordida de suas presas, doeu e ela rosnou, reclamando e logo foi liberta do peso, mas não conseguiu fugir. Com a mordida, ficou sob o domínio do Alfa e estava muito fraca para resistir à sua dominância forte. Ele voltou à forma humana, totalmente nú. Um homem muito maior que os humanos normais, com uma cabeleira desgrenhada e com as presas de fora. A loba o observou, mas logo abaixou a cabeça. — V O L T E! Ordenou ele, com sua voz profunda e grave, mas ela não temeu, já tinha suportado de tudo na vida, por não ter se transformado. Agora que sua loba saiu e era forte, não cederia a qualquer um. Deitou sobre as pernas e cobriu a cabeça com as patas. — Que loba teimosa, carreguem-na para a minha casa. Ele voltou a sua forma lupina e era um imenso lobo negro, com olhos vermelhos, o que significava que era violento. Usava um cordão com um pingente. A pedra no centro dele, era um imenso rubi, que combinava com seus olhos. “ Esse idiota pensa que me engana, só não resisti, por estar fraca, mas assim que me fortalecer, ninguém me dominará. Sei que aquela pedra contém feitiço de ocultação e ele se arrependerá de me prender como uma qualquer.” Pensou Lorena. O Alfa Noah Smith era o líder da Alcateia Blue Moon. Habitavam a margem sul do rio Tâmisa, se mesclando com os humanos, mas nas noites de lua, deixavam seus lobos no controle e ficavam na mata mais densa, reservada e exclusiva da família Smith. A muito tempo ele esperava por sua companheira, mas não esperava que fosse uma desgarrada rebelde e mal nutrida. Marcou-a para não perdê-la, mas não sabia se ficaria com ela. — O que fará com ela, senhor, não parece ser daqui. — perguntou seu beta, Norman, líder da equipe de guardas. — É mesmo, é? Como você deduziu isso? — ironizou Noah. — Tá, você está certo. Ela parece uma desgarrada, mas não deixa de ser uma Alfa, só está desnutrida. — Cace algum animal, vamos alimentá-la antes de chegarmos. Pararam em uma pequena clareira, colocaram-na no chão e Normam trouxe um veado de tamanho médio, colocando-o diante dela. A loba estava esfomeada e rapidamente consumiu o animal, não deixando nada além das partes impossíveis de comer. Noah levou-a até um pequeno lago e ela lavou-se e bebeu da água fria, mas não voltou à sua forma humana. Deixou-se levar, pacificamente e quando chegaram a casa, observou que era grande e moderna, cercada pela mata, muito bem protegida. Foi colocada em um quarto do segundo andar, sozinha e trancada. Ela foi para o banheiro e por ser uma loba tão grande, não passava pela porta. Olhou em volta e voltou a forma humana, entrando rapidamente e trancando a porta do banheiro. Aliviou-se e tomou um bom banho, agradecida por aquele luxo. Não tinha essa mordomia na casa do irmão. Secou-se e saiu enrolada na toalha, encontrando o quarto ainda vazio. Encontrou uma cadeira entalhada em madeira de lei e prendeu a maçaneta, com o encosto. — Pronto, assim dá para ouvir quando alguém chegar e voltar à forma lupina. Ela deitou-se e cobriu-se com o edredom, pois o quarto estava gelado com o ar condicionado ligado. Dormiu imediatamente, cansada e satisfeita com a cama confortável e quentinha, ao contrário da despensa e da cama de campanha em que dormia, na casa do irmão. Noah sentiu o cheiro da fêmea, assim que ela tomou banho. Algo, anteriormente, o encobria, mas ele percebeu, mesmo bem fraco e o banho tirou o que estava cobrindo o cheiro. “ Ela não deve ter sentido o meu cheiro, por causa do cordão e não me reconheceu. Fiz essa proteção, para não ser reconhecido, pois caso ela aparecesse, eu reconheceria-a primeiro e poderia rejeitá-la. Agora, só preciso saber como é sua forma humana.” Pensou Noah. Foi para o seu quarto, que ficava ao lado do quarto onde sua fêmea estava e depois de um banho, dormiu, como não dormia há muito tempo. Ter uma companheira, fazia toda a diferença. Ainda precisava acasalar, mas não o faria tão rapidamente, conheceria-a primeiro.Ela continuou contando Meu pai e irmão não sabiam que éramos bruxas, por isso ela me ensinou desde cedo, para que eu tivesse controle e não nos delatasse. Mas um dia, quis testar algo e fui para a floresta, deixei a magia fluir amplamente e quem procurava pela minha mãe, sentiu e descobriu onde estávamos.É horrível a intolerância, pois quando descobriram que ela se uniu a um lobisomem, provocaram o acidente que a matou. Como sei disso? Eu estava lá e quando o carro bateu e capotou, eu fui expelida pelo para brisa e fiquei ferida, no chão. Eles não me viram, usei feitiço de ocultação e eles se aproximaram para confirmar a morte dos dois, falando sobre o assunto.Eles comentaram seu contentamento em ter os exterminado, sem preocupação e soube de seu ódio pelos lobisomens. Depois que foram embora e antes que o socorro chegasse, fugi para a floresta, esperei meu corpo se recuperar e fiz o que minha mãe me instruiu.Fiz um corte na região do meu umbigo, diminuí o tamanho do meu grimório
Estavam muito impressionadas para pensar no perigo que aquilo representava. — Impressionante, não é? Foi o conhecimento de minha mãe, que identificou o feitiço, também nunca vi igual.— Isso é mais incrível ainda. As mulheres são mais fiéis do que os homens de nossa espécie. Meu pai não me passou nada, se não fosse o meu tio me ajudar, podia ter morrido. Mas isso é outra história. Vamos voltar ao poço.Erguendo-se, Ananias bateu as mãos, limpando-as com magia. Voltaram e ele abriu o frasco, mediu uma tampinha da poção e com uma conjuração, derramou o líquido no poço. Lorena foi até a válvula de irrigação e abriu. Os dois ficaram parados, de braços cruzados, observando a irrigação.Noah chegou e ficou ao lado deles, na mesma posição. Não viu o que fizeram, mas achou incrível o que aconteceu. As plantas começaram a se erguer, aos poucos e não demoraria a estarem plenas e perfeitas.— Há risco de estarem contaminadas e intoxicarem quem as comer?— Não, combatemos tudo e o efeito já come
Noah chamou Norman e levaram-no para o carro.— Essa bruxaria era antiga e muito poderosa. Ele ficará bem depois de descansar. — disse o bruxo.— Sim e ainda tem mais. Lançaram um feitiço nas águas dos poços que está contaminando a plantação. — informou Lorena.— Foram aquelas pestes, tenho lutado contra eles há décadas. Se não fosse isso, estaríamos pior. — contou Ananias.— Imaginei… acho que só conseguiram porque paralisaram você.— Sim, eu estava usando uma proteção para toda a Alcateia, mas uma magia negra forte interferiu e aquele trio de mafiosos me pegou.— Você falou certo, eu nem sabia que isso existia, lobisomem mafioso. — disse o Alfa.— Eu acho que tem um bruxo muito poderoso por trás disso e ele deve estar escondido em algum lugar, comandando seus discípulos em sua maldade. O que acha, rainha?— Me chame de Lorena, rainha era a minha mãe e ela está morta.— Sinto muito, querida. Mas senti o poder dela em você e é ele que te identifica. Noah rosnou ao ouvir o que o bruxo
Norman olhou para ela curioso e já que ela não disse nada, perguntou:— O que achou, Luna?— Tem que pulverizar um fungicida e tratar a água. — disse ela, como uma entendida no assunto.— Mas os técnicos vieram e não detectaram nada.— Não está nas plantas, está no solo, que foi irrigado pela água dos poços.— Então, temos que prevenir a população. Já distribuímos garrafões de água mineral, mas sabe como são as crianças, adoram tomar banho de água de poço.— Vou ver se o bruxo tem algumas ervas para tratarmos. — disse Lorena, esquecendo que seu irmão estava escutando.— Como sabe dessas coisas, Lorena? — perguntou Lucas.— Aprendi com a mamãe.— A mamãe sabia de botânica? — continuou ele perguntando, com as sobrancelhas franzidas.— Não só de botânica, você se espantaria com tudo que mamãe conhecia e sabia fazer. Não foi atoa que a caçaram e mataram.Lucas calou a boca, não queria desmentir sua irmã na frente do Alfa, mas seus pais morreram em um acidente de carro e a única sobreviven
Último capítulo