Marina voltou a si ao ouvir a voz de Kaito chamá-la, desta vez mais firme, cortando a névoa que parecia envolver seus pensamentos.
Ela piscou algumas vezes, como quem emerge de um lugar distante, e virou o rosto lentamente para encará-lo. Kaito estava sério, apoiado de lado na cama, o lençol baixo demais para esconder a nudez que ainda compartilhavam, entrelaçados pelo calor recente de seus corpos.
— Aconteceu alguma coisa? — ele perguntou. — Eu te chamei várias vezes e você não respondeu.
Marina respirou fundo, sentindo o peso suave daquele instante.
— Não… nada aconteceu. — Um sorriso tímido surgiu, quase nervoso. — Eu só estava pensando.
— Pensando em quê?
Ela desviou o olhar por um instante, como se percorresse cada passo que a levara até ali.
— Nos últimos seis meses. Desde que cheguei ao Japão. — Sua voz saiu baixa, sincera. — Em como a minha vida mudou completamente nesse tempo. Eu nunca… nunca imaginei que estaria aqui. Assim. Com você.
Kaito permaneceu em silêncio, observando