A madrugada havia caído pesada sobre Osaka. A cidade, que geralmente vibrava mesmo à noite, parecia suspensa num silêncio quase sobrenatural. Lá fora, o vento assobiava entre os prédios altos, e as luzes distantes piscavam como faróis para quem estivesse acordado demais.
No quarto 1407, Kaito estava completamente desperto.
Ele estava sentado na cama, os lençóis embolados ao redor das pernas, o cabelo bagunçado e o peito subindo e descendo devagar — uma tentativa falha de controlar a própria respiração.
Ele não conseguia parar de pensar nela.
Marina.
Cada imagem dela surgia com nitidez cruel.
O jeito como ela sorriu para disfarçar o desconforto na estação.
O instante em que os olhos dela se arregalaram quando ele tocou, por acidente, nos dedos dela no trem.
A voz trêmula dela naquela manhã… pedindo mais tempo para pagar o aluguel.
Aquela voz o perseguia.
Ele fechou os olhos, como se assim pudesse fugir das lembranças, mas isso só tornou tudo mais claro.
Ele apoiou os antebraços nos joe