Respirei fundo antes de continuar. O ar parecia pesado demais para entrar nos pulmões, como se até o ambiente estivesse contra mim.
— Vocês eram as pessoas mais próximas de mim — comecei, a voz firme apesar do nó na garganta. — Eu achei que tinha amigos. Família.
Olhei para cada um deles. Um por um. E aquilo doía mais do que qualquer golpe físico. Meu coração se apertava, quase implorando para que tudo aquilo fosse um engano. Mas não era. Eu estava sozinho agora. Completamente sozinho. Não podia confiar em mais ninguém. Em nada.
— Cada um de vocês sabia exatamente como eu me sinto — continuei. — Sabiam dos meus medos, das minhas inseguranças, dos meus fantasmas. Sabiam exatamente o que aconteceria comigo se eu descobrisse algo assim. Sabiam como isso me destruiria.
— Querido… — a tia Glória interrompeu, a voz nervosa demais para soar natural. — Do que você está falando?
O som da voz dela me irritou instantaneamente. Sempre foi assim: doce por fora, dissimulada por dentro. E eu sempre