Não dá para acreditar que chegamos até aqui.
Tudo parece surreal, como um sonho do qual eu não quero mais acordar. Quando me lembro do nosso início — da minha vida antes do Omar — costumo pensar em como eu era perdida, desatenta, quase fútil. Eu vivia no caos da minha própria existência, lutando todos os dias apenas para sobreviver, sem perceber que havia algo maior me esperando.
Errei muitas vezes. Inclusive com ele. Omar não conhecia a verdadeira origem do nosso encontro, mas tudo o que senti sempre foi real — e agora ele sabe disso. Nada foi mentira. Nada foi vazio.
E agora, com o nosso menino nos braços, eu me sinto tomada por uma emoção que não sei descrever. Jamais imaginei que teria algo assim. Uma vida tão pequena, tão frágil… e, ainda assim, tão poderosa. Uma ligação eterna. Um laço que nos une para sempre.
Quando comecei a sentir que era hora de ir para o hospital, vi o homem que sempre foi tão calmo, tão centrado, se transformar em um pai desesperado, perdido, sem saber por