— Pai, por favor... — começou Vitor, a voz embargada por um desespero que parecia brotar das entranhas. Seus olhos estavam marejados, e cada palavra vinha carregada de uma dor silenciosa. Mas Alexander o interrompeu com firmeza.
— Vitor, você não escutou? — Ou não entendeu, filho? — Eu disse já chega. Basta. — Seu tom saiu grave, cortante como lâmina fria, controlado, mas com uma tensão latente que denunciava sua impaciência. O corredor pareceu congelar por um instante.
Vitor não ousou confrontar o pai. Apenas baixou o rosto, os ombros curvando-se como se carregassem o peso de um mundo que ninguém mais via. Seu olhar se fixou num jarro de violetas encostado sob a parede — flores delicadas, quase esquecidas, que pareciam destoar da atmosfera pesada do ambiente. O roxo vibrante contrastava com o chão de mármore escuro, e por um momento, Vitor se perdeu naquele pequeno refúgio visual.
Alexander deu alguns passos lentos em direção ao filho, o som de seus sapatos ecoando no silêncio tenso