CAPÍTULO 94 — O SOM ANTES DA TEMPESTADE
Aquela noite tinha começado como qualquer outra.
Helena colocou Téo para dormir depois de uma história longa — tão longa que ele acabou apagando no meio da última frase. Ela sorriu, ajeitando o cobertor sobre o filho, mas havia uma sombra persistente no fundo do peito. Uma inquietação que ela não conseguia nomear.
Arthur percebeu.
Ele sempre percebia.
Ele encostou-se ao batente da porta do quarto, observando mãe e filho com um carinho que transbordava.
— Ele dormiu rápido hoje — Arthur disse, baixinho.
Helena sorriu, mas não com a leveza habitual.
— Ele estava cansado. — Ela respondeu, apagando o abajur. — A escola, o projeto novo… ele tem se esforçado muito.
Arthur estendeu a mão e segurou a dela quando passaram pelo corredor.
— E você também está cansada — ele observou. — Quer conversar?
Helena abriu a boca para dizer “não”, mas o olhar dele era tão genuíno que a resposta morreu no ar.
— Eu… acho que estou preocupada à toa — ela a