Pablo.
Eu fico puto quando a Melinda dá umas ideias dessas. Sério, uma hora eu perco a porra da cabeça e faço merda grande. Já tô no limite. Se fosse outro cara, ela já tava na vala faz tempo.
E o pior? Eu devia ter previsto essa merda. A Melinda nunca pensa no caminho certo, sempre escolhe o pior. Não tô acreditando que ela quer deixar nossa filha por pouca bosta. Já tentei mil vezes conversar com calma, falar na moral... mas ela sempre puxa o modo mais difícil. E isso, no nosso mundo, só acaba de um jeito: gente morta por ousadia.
— Melinda, volta aqui agora! — gritei.
— Eu não! Cuida da nossa menina aí. — ela respondeu, na cara dura, virando as costas.
Meu sangue ferveu.
— Tales, vou fazer merda. Segura minha menina aqui antes. — coloquei a Luna no colo dele.
— Não vai não! — ele se colocou na minha frente.
— Sai da minha frente, Tales. Essa mandada pensa que é quem pra fazer merda na minha cara?
— Melinda Mendonça de Castro, ele debochou, como se fosse engraçado.
Eu ri sem humor.