Continuação.
Coloquei a Melinda e a minha filha dentro do cofre. Ali ninguém encosta nelas.
Agora eu precisava ver quem era o filho da puta que teve a coragem de tentar tomar o que é meu.
— Passa a visão, Tales! — gritei no radinho enquanto vestia o colete.
— Tão invadindo o morro, irmão! — Tales gritava, ofegante. — Já mataram nossos pivetes na entrada. Caralho… tu nem imagina quem é o cuzão!
— Manda o papo direito — peguei meu fuzil e uma doze.
— O Galego voltou!
Fiquei em silêncio por um tempo que não existiu.
— Ele voltou? Então que venha. Se ele acha que invadir meu morro vai garantir a vingança, tá sonhando. Aqui não cai fácil, tio.
Subi pra laje. Daqui de cima a favela inteira respira. Vi os vermes avançando.
— Eu te falei que tinha que ter acabado com ele naquela época — Tales disse no rádio. — Ele traiu a gente, porra.
— Segura aí que tô descendo.
— Não! Fica na laje, irmão! — ele insistiu.
— Não sou homem de dar as costas pro meu bonde nem pro meu morro — coloquei a máscara