Capítulo 55

Continuação.

Coloquei a Melinda e a minha filha dentro do cofre. Ali ninguém encosta nelas.

Agora eu precisava ver quem era o filho da puta que teve a coragem de tentar tomar o que é meu.

— Passa a visão, Tales! — gritei no radinho enquanto vestia o colete.

— Tão invadindo o morro, irmão! — Tales gritava, ofegante. — Já mataram nossos pivetes na entrada. Caralho… tu nem imagina quem é o cuzão!

— Manda o papo direito — peguei meu fuzil e uma doze.

— O Galego voltou!

Fiquei em silêncio por um tempo que não existiu.

— Ele voltou? Então que venha. Se ele acha que invadir meu morro vai garantir a vingança, tá sonhando. Aqui não cai fácil, tio.

Subi pra laje. Daqui de cima a favela inteira respira. Vi os vermes avançando.

— Eu te falei que tinha que ter acabado com ele naquela época — Tales disse no rádio. — Ele traiu a gente, porra.

— Segura aí que tô descendo.

— Não! Fica na laje, irmão! — ele insistiu.

— Não sou homem de dar as costas pro meu bonde nem pro meu morro — coloquei a máscara
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