Capítulo 22

Pablo

Eu subi a porra da casa inteira procurando ela. Porta por porta. Cômodo por cômodo. Nada. Meu coração já tava batendo no pescoço. Quando entrei no quarto, quase infartei: Melinda tava caída no chão, desmaiada e toda torta.

– Melinda! – agachei rápido, puxei ela e botei na cama.

Ela acordou na hora, se debatendo igual uma doida.

– ME SOLTA! ME SOLTA!

– Calma, porra! Sou eu! – segurei ela firme.

Ela parou de se debater, me olhou assustada… e desabou no meu peito. Me abraçou forte.

– Ele tava aqui… – a voz dela tremia.

– Quem tava aqui?

– O homem da cicatriz… ele entrou aqui… – ela olhava pros cantos, como se ele ainda estivesse escondido.

Meu sangue ferveu.

– OLHA A CASA TODA! – eu gritei pros caras.

Os vapores saíram correndo vasculhando tudo.

Melinda me abraçou de novo, como se tivesse medo de soltar.

O rádio chiou:

– Boladão!

– Fala tu!

– Sobe! Vai pro matagal! Depois do matagal tem um carro te esperando. Ele vai tirar tu do morro. Corre que o escudo tá armado aqui.

– É fixa. –
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