O tempo havia perdido o ritmo desde que Cecília desapareceu.
Dois meses. Sessenta e tantos dias. Longas madrugadas que pareciam repetir o mesmo vazio, o mesmo silêncio sufocante.
Enrico sentia que vivia em suspensão — trabalhando, respirando, existindo… mas sem de fato estar ali.
A cada manhã, o espelho devolvia uma versão mais cansada de si mesmo. As olheiras profundas denunciavam as noites sem sono, e o terno, sempre impecável, já não bastava para disfarçar o desalinho interior.
Ele tentara d