A primeira coisa que Abigail sentiu foi a luz suave filtrando-se pelas persianas. A segunda foi o cheiro familiar de hospital — uma mistura de álcool, limpeza e algo metálico no ar. Ela piscou algumas vezes, a visão embaçada aos poucos se ajustando. Sentia o corpo pesado, a garganta seca e uma estranha quietude no ambiente.
Virou lentamente o rosto para o lado e viu Sérgio sentado na poltrona ao lado da cama. Os cotovelos apoiados nos joelhos, as mãos entrelaçadas, a cabeça baixa. O semblante abatido, os olhos fixos no chão, como alguém que carregava o peso do mundo nos ombros.
Ao lado dele, Luiza estava em uma cadeira, as mãos apertadas sobre o colo, os olhos vermelhos e marejados — sinais claros de que havia chorado.
Mais adiante, de pé, próximo à janela, Marcos observava o lado de fora do hospital. Os braços cruzados, o maxilar travado. Parecia uma estátua — imóvel, mas prestes a desmoronar por dentro.
— Sérgio… — a voz de Abigail saiu fraca, arranhada, mas foi o bastante para queb