35. No controle
A madrugada pesava como chumbo. Eu não dormia. Não conseguia.
A imagem de Ágatha com a minha camisa, os olhos dela cheios de raiva e confusão, continuava gravada em mim. Havia algo naqueles olhos que me desmontava de um jeito que eu não podia admitir — nem para mim mesmo.
Levantei da poltrona e caminhei até o corredor. O silêncio da casa era absoluto, mas não me trouxe paz. Bati de leve na porta do quarto dela.
— Ágatha?
Nada.
Girei a maçaneta. O quarto estava vazio. A cama, intacta. O clo