Na semana véspera do natal, Umberto reuniu toda a equipe da Zanobi Corporation para relatório das atividades da empresa do decorrer do ano. Geralmente o evento é bem monótono e entediante. Os funcionários foram chegando ao local do evento parceladamente, em pequenos grupos. O espaço era amplo e bem confortável. Havia um telão com o nome da empresa atrás de quatro poltronas; ao lado das poltronas estava posicionada uma pequena mesa com 4 garrafas de água mineral.
As cadeiras do auditório foram sendo ocupadas por pessoas com ar apressado, porém aos que chegaram mais cedo foi possível desfrutar do café da manhã que estava posto em uma mesa comprida e farta. Nay, que saiu de casa 30 minutos e ficou travada no trânsito devido a um engarrafamento logo cedo. Ela precisava entregar ao CEO o pacote que havia sido incumbida de buscar na agência de viagens no dia anterior. O desespero e a urgência fizeram com que gotas de suor se formassem em sua testa. O calor estava insuportável naquela manhã. O motorista do aplicativo se recusou a ligar o ar-condicionado do veículo. Diante daquela situação, mergulhou em um pensamento, lembrando o motivo de ter atrasado, a filha havia amanhecido febril, o que a levou a aguardar mais um pouco enquanto medicava e verificava o termômetro...
—Senhora...senhora...eu preciso buscar outro passageiro...tem como desocupar o veículo?
Nay recobrou a realidade despertando assustada.
—Ãh?...Desculpa, não havia percebido que chegou ao meu destino—Disse pegando as suas coisas e descendo ofegante.
Adentrou o espaço de eventos ansiosa e perguntou aos colegas se a reunião já havia começado ao que a informaram que não, pois Emilyke não havia chegado. O que lhe deu alívio, seguiu em direção ao palco e posicionou a caixa na mesa dos palestrantes. Sentou-se na primeira fila. E passando cerca de mais 30 minutos. Ela e os demais notaram a movimentação lá na frente. Primeiramente, Umberto se posicionou ao lado de Carlota ajeitando o terno, em seguida Emilyke se alinhou ao lado dele, trajando um blazer vermelho no qual os cabelos loiros repousavam, calça jeans e salto alto. Logo após, Vito aparece muito bem trajado, ficando ao lado de Carlota. Assim entraram no palco em fila indiana e parando no centro ficando de frente para a plateia. Carlota iniciou a fala enquanto os outros tomavam os seus assentos. Em O restante do grupo tiveram as devidas oportunidades para também falarem, porém Umberto ficou por último. Enquanto Vito estava falando, o celular do senhor Zanobi tocou alto, o susto foi percebido por todos pois ele fez um malabarismo para o aparelho não cair. Ao atender recuou para o canto da sala numa penumbra ao lado, porém sentiu uma leve coceira próximo ao botão do microfone que estava acoplado na lapela do paletó. Aos poucos os funcionários foram percebendo uma leve microfonia e o som do microfone sendo esfregado contra alguma superfície. Ele verificou a ligação, era Maria, a funcionária que trabalhava em sua casa. A mesma que havia saído de férias. Ela havia retornado à casa do senhor Zanobi e deparado uma situação desesperadora.
— Senhor Umberto...Alô...alô —Falava com voz de medo—O senhor não vai acreditar...sua casa...está cheia de fantasmas. São três...
—Maria, me escuta...você está aonde? — Você bebeu.
— Não seu Umberto, eu não bebo—Disse quase sussurrando.
— Então, por que a vossa senhoria está me ligando em meio a um evento super importante?
— Porque eu vim limpar a casa da vossa majestade.
—Isso foi um insulto? —Indagou incrédulo.
—Não seu Umberto...Desculpe.
— Não precisa se desculpar...Escuta...não são fantasmas...Você guarda segredo?
—Não sou muito boa com isso.
—São pessoas que estão na minha casa por um tempo.
— E quem são eles?
— Estou sentindo uma curiosidade..., mas vou te responder mesmo assim.
—Não me diga que são os seus pais, que maravilha seu Umberto?!
— Não! Não são os meus pais. Nesse momento ele ouviu um estalo como se algo se quebrou e um barulho muito forte de algum caindo no chão.
O grito de Maria foi agudo. E demorou alguns segundos para ela recobrar os movimentos.
— Alô, seu Umberto? — Quase que eu fui de arrasta.
Uberto atônito respondeu.
—O que aconteceu?
— Caí da árvore.
— Mas o que?!
— Sim, meu querido, fiquei com medo e subi na sua planta. O senhor vai ter que consertar ela depois. Tchau, deixa eu entrar aqui.
Ao desligar percebeu que Vito estava olhando para ele com o microfone estendido. Um calafrio o fez tremer, mas seguiu em frente e saiu do escuro entrando no palco. Vito aproveitou para sussurrar no ouvido do amigo “nós ouvimos a conversa”, o que não ajudou muito. Pois ao se aproximar da plateia levou alguns segundos parado para que se acalmasse.
— Boa noite, senhoras e senhores. Quero começar a minha fala com a palavra gratidão...
O discurso seguiu muito emocionado e motivacional. Ao final, Umberto presenteou todos os colaboradores com uma viagem para um resort...três dias de descanso, revigoramento e muita diversão. A alegria foi instantânea. Todos com sorrisos e brilho nos olhos. Não a nada mais gratificante do que ser reconhecido por todo esforço, não é mesmo?