Anton não tinha planejado aquilo.
Não daquele jeito.
Não tão cedo.
A ideia sempre fora observar à distância, esperar o momento certo, deixar que as peças se movessem sozinhas até que Liana estivesse exatamente onde ele queria e então levá-la, simples assim. Mas, desde a noite na boate, desde o cheiro dela cravado em sua mente como uma obsessão ridícula, algo dentro dele se recusava a obedecer à lógica.
O lobo não parava quieto.
Reconhecia.
Chamava.
Exigia.
Atlas estava tirando sua paciência e ele mesmo não conseguia se conter não tanto quanto gostaria.
E, agora, ali no beco estreito, com Liana presa entre a parede fria e o corpo dele, Anton sentia aquela sensação conhecida demais para ignorar: o puxão invisível do destino, o mesmo que já o tinha feito perder tudo uma vez.
— Me solta — Liana disse, firme, embora o coração estivesse disparado.
Anton inclinou a cabeça, analisando-a com atenção. O medo estava ali, sim, mas não era paralisante. Era misturado com raiva, com algo mais profun