11. Família linda
Rafael*
Depois de uma reunião interminável com o jurídico da empresa, tudo o que eu queria era silêncio. Um banho quente, um relatório simples, qualquer coisa que não exigisse mais decisões.
Mas a babá resolveu me tirar do sério mais um pouco. Pediu pra conversar comigo e eu fui pro escritório com ela me seguindo.
— Eu estava pensando… sobre as crianças. Especialmente o Lucas. Um cachorro poderia ajudar muito…
— Não. — Cortei antes que ela terminasse. — Eu já disse a eles que não. Foram eles que te pediram pra falar comigo?
As crianças e a Márcia já tinham tocado nesse assunto antes. Um cachorro. Como se isso fosse solução pra alguma coisa. Não autorizei, obviamente. Um cachorro só traz trabalho, bagunça, desobediência. Era tudo o que eu não precisava.
— Não — ela respondeu. — Eu só acho que...
— Você é paga pra cuidar deles, não pra achar alguma coisa.
Esperei o recuo.
O pedido de desculpas.
O constrangimento.
Mas ele não veio.
Eliza ficou ali. Em silêncio. As mãos unidas à frente do