12. Dia produtivo
Antes que eu abrisse a boca, Eliza respondeu ao rapaz.
— Na verdade, eu sou a babá — disse, com um sorriso educado. — As crianças são dele.
Ela apontou discretamente para mim.
O rapaz piscou, surpreso, e logo assentiu.
— Ah… entendi. Me desculpem. Mesmo assim, sejam bem-vindos.
“Mesmo assim.”
A frase ecoou estranho. Como se, de alguma forma, ainda parecêssemos… alguma coisa. Ele continuou se apresentando e então perguntou o que procuravamos.
— A ideia é adotar um cachorro pequeno — falei, direto. — Que se adapte bem a crianças. Nada agressivo. Nada destrutivo.
— Certo — ele respondeu animado. — Alguma preferência de idade?
— Filhote, se possível — respondi após pensar um segundo. — Facilita a adaptação e o treinamento.
Eliza inclinou levemente o corpo para frente, entrando na conversa com naturalidade.
— A casa é grande, mas eles passam bastante tempo dentro — explicou. — Temos quintal, rotina definida, horários. O mais importante é que seja um cachorro que crie vínculo com crianças.