Depois que Isabela sumiu entre as árvores do parque, o mundo não parou. Mas dentro de mim, algo quebrou — ou talvez tenha se reconfigurado. Era como se eu tivesse visto, pela primeira vez, o rosto daquela ausência que pairava sobre a casa. E não era um monstro. Era uma mulher. Uma mãe. E isso a tornava mil vezes mais perigosa.
Arthur não dormiu naquela noite. Fiquei sabendo porque passei por sua biblioteca duas vezes — uma para pegar água, outra para ver se estava tudo bem com Sophia — e ele estava sempre lá, de pé junto à janela, os olhos fixos no jardim escuro, como se esperasse que Isabela surgisse entre as margaridas.
No dia seguinte, ele marcou uma reunião com seu advogado. Não com a polícia. Com um homem de terno cinza, olhar neutro e papéis selados. Horas depois, veio até mim, com um envelope nas mãos.
— Ela não vai conseguir nada legalmente — disse, com a voz mais calma do que eu esperava. — Mas a justiça é lenta. E ela não precisa de autorização para aparecer, olhar, sussurra