ARIEL MACEY
— Você fica linda de preto, Ariel.
Meu coração batia contra as costelas como um pássaro enjaulado, o medo inicial da emboscada se misturou a confusão.
Ele soltou o ar numa exalação trêmula, e a testa dele caiu, apoiando-se na curva do meu pescoço. O hálito quente dele arrepiou minha pele, mas não havia malícia ali.
— Desculpe... — ele sussurrou, a voz abafada pelo meu cabelo. — Eu precisava... eu só precisava de um abraço.
Fiquei imóvel por um segundo, os braços presos ao lado do corpo pela surpresa.
Aquele era o novo Don de Seattle? O homem que tinha acabado de receber o beijo na mão de senadores e juízes lá fora? Ele parecia estar se desfazendo nos meus braços, desmoronando sob o peso da coroa que tinha acabado de herdar.
A hesitação durou pouco, meus braços se moveram por vontade própria.
Envolvi a cintura dele. Minhas mãos, pequenas contra as costas largas dele, deram tapinhas leves e rítmicos, em um gesto de consolo quase maternal que parecia absurdo dada a no