ARIEL MACEY
Voltamos ao salão principal no momento em que a movimentação mudava. O caixão estava sendo ajustado. Homens robustos se preparavam para erguê-lo.
O mestre de cerimônias anunciou que o sepultamento seria no mausoléu da família, nos fundos da propriedade.
Saímos para o jardim.
A chuva tinha apertado. Não era mais uma garoa fina, mas uma chuva fria e constante, típica de Seattle.
Dezenas de guarda-chuvas pretos se abriram simultaneamente, como corvos levantando voo. O caminho de pedras até o mausoléu era ladeado por ciprestes antigos que balançavam ao vento.
Dante abriu um grande guarda-chuva preto e o segurou sobre nós, me puxando para perto do corpo dele para me proteger do frio e da umidade.
— Isso parece uma cena de "O Poderoso Chefão" — ele sussurrou no meu ouvido. — Só falta a trilha sonora.
— Tenha respeito. — sussurrei de volta, embora no fundo concordasse com ele. — É o avô de alguém.
— É o avô do diabo.
Caminhamos em silêncio no meio da procissão.