ARIEL MACEY
— O que você está fazendo com essas pastas? — ela perguntou, perdendo toda a arrogância da manhã.
Sorri. Dessa vez, não foi um sorriso forçado. Foi o sorriso de quem tem a mão vencedora no pôquer e mal pode esperar para mostrar as cartas.
— Estou fazendo meu trabalho, Ester — respondi, batendo levemente na capa da pasta onde se lia "Fornecedores Diversos". — E devo dizer... estou impressionada com o seu apetite por morangos. Vinte quilos por semana? Cuidado, querida. Muita vitamina C pode dar diarreia.
— Eu não sei do que você está falando — Ester gaguejou, a voz subindo uma oitava, perdendo completamente o tom de superioridade que costumava usar comigo. Os olhos dela corriam de um lado para o outro, evitando as pilhas de papel no chão.
— Estou falando que anos de serviço não dão direito a roubo, Ester — respondi calmamente, cruzando os braços.
Ester empalideceu ainda mais, se é que isso era possível. Ela olhou para a calculadora na minha mão, depois para a porta,