32 - Preciso de mais uma noite. Talvez duas
DANTE VELASQUEZ
O cartão magnético da suíte presidencial do The Peninsula Chicago emitiu um bipe e a luz verde piscou.
Empurrei a porta e entrei, jogando minha pasta sobre a primeira poltrona que vi. O ar condicionado estava gelado, era bem-vindo depois do calor sufocante da sala de reuniões onde passei as últimas cinco horas ouvindo investidores reclamarem de margens de lucro que, para qualquer mortal, seriam consideradas uma fortuna.
Afrouxei o nó da gravata, sentindo o tecido de seda deslizar como uma forca sendo removida, e caminhei direto para o frigobar. Peguei uma garrafa de água com gás, abri e bebi metade num gole só.
Caminhei até a janela panorâmica. A cidade de Chicago se estendia abaixo de mim, um mar de luzes e arranha-céus. Bonita, mas vazia.
Apoiei a testa no vidro frio.
— Merda — sussurrei, o vapor da minha respiração embaçando a vista da cidade.
Eu deveria estar aliviado. A reunião foi um sucesso. As ações estavam subindo. Eu estava longe daquela casa, long