DANTE VELASQUEZ
Passei a mão pelo rosto, sentindo a barba por fazer arranhar a palma. Ela me odiava. Minha própria filha me odiava. Eu tinha vencido o mundo dos negócios, a Velasquez International tinha filiais em três continentes agora, mas eu não conseguia manter uma conversa de dois minutos com uma criança de seis anos.
— Sr. Dante?
Levantei os olhos. Alfredo estava na porta, segurando uma bandeja com uma garrafa de uísque e um copo limpo. Ele sabia que eu precisaria.
— Ela já foi? — perguntei.
— Foi, senhor. O motorista acabou de sair. — Alfredo entrou e colocou a bandeja na mesa. Ele não saiu imediatamente. Ficou parado, as mãos cruzadas, me olhando com aquela paciência infinita que estava começando a me irritar.
— O que foi, Alfredo? Diga logo. O sermão de hoje é sobre o quê? Minha falta de habilidade paterna ou meu consumo de álcool?
— Nenhum dos dois, senhor. — Alfredo pigarreou. — É sobre a sua teimosia.
— Cuidado, Alfredo.
— Com todo o respeito, senhor, mas já se pa