ARIEL MACEY
— O que é isso?
Henrico se aproximou.
— Eu passei o último ano tentando ser a água, não o martelo — ele começou, a voz rouca. — Tentei ser seu amigo, seu parceiro e o melhor pai para nossa filha.
Ele parou na minha frente, os olhos verdes intensos, focados em mim.
— Eu sei que não sou o homem que você escolheu primeiro, Ariel. Sei que o fantasma dele ainda caminha por estes jardins às vezes. Mas eu também sei que construímos uma boa conexão aqui. Algo sólido.
Ele enfiou a mão no bolso do paletó e tirou uma caixa de veludo preto.
Meu coração falhou uma batida. Eu sabia que isso poderia acontecer. Marly vivia soltando indiretas, Matilde acendia velas para Santo Antônio. Mas vê-lo ali, prestes a fazer o movimento, tornou tudo assustadoramente real.
Henrico se ajoelhou. Ali, no cascalho, estragando a calça de alfaiataria.
Ele abriu a caixa. Um diamante solitário, cortado em formato de gota, brilhava lá dentro. Elegante. Único. Nada ostensivo, mas incrivelmente valioso.