Eliza*
Acordei com a sensação estranha de que a casa não era exatamente nossa naquele dia.
Tudo estava no lugar. Talvez até demais. Leonardo tentou disfarçar, mas eu sabia que ele também sentia o peso da avaliação. Não era nervosismo exagerado, era consciência. A de quem sabe que qualquer olhar errado pode ser interpretado como falha.
Na quarta o advogado avisou que não seria marcado um dia, que a assistente social simplesmente iria aparecer. E isso ocorreu, hoje, sexta-feira, eu estava dando café da manhã pra Livia quando tocaram a campanhinha. O segurança que Leonardo colocou na porta pra evitar a entrada de Augusto e Daniele avisou da presença da mulher, Regina foi recebe-la.
Uma mulher de meia-idade, roupas neutras, sorriso educado e um olhar atento que parecia registrar tudo sem precisar de pressa.
— Eliza, certo? — perguntou.
— Sim — respondi, mantendo a postura calma que eu ensaiei mentalmente nos ultimos dias.
— E o senhor Leonardo?
— Esta no trabalho, quer que eu o chame?
—