Voltei para casa mais cedo do que o previsto.
Não porque o dia tivesse sido leve, muito pelo contrário, porque eu precisava vê-la. Precisava ter certeza de que Eliza estava bem. E, no fundo, porque aquela sensação incômoda do almoço não tinha ido embora comigo.
Encontrei Eliza na sala, sentada no sofá, com o notebook fechado ao lado e o celular nas mãos. Ela levantou o olhar assim que me viu e sorriu, mas havia algo no sorriso… contido demais.
— Chegou cedo — comentou.
— Estava com saudade das minhas meninas.
Ela sorriu. E hesitou um segundo antes de responder.
— Eu também estava com saudades.
Me sentei ao seu lado e lhe dei um beijo. Peguei sua mão. Estava fria.
— Aconteceu alguma coisa?
Ela respirou fundo, como quem organiza palavras que não quer dizer.
— A Verônica ligou.
Meu corpo inteiro entrou em alerta.
— Quando?
— Agora há pouco. — Ela desviou o olhar. — Não foi exatamente uma ligação. Foi mais… uma encenação.
— O que ela disse?
Eliza soltou um riso sem humor.
— Começou pergun