18. Viúva valiosa
Atlas Cross
Minha mandíbula se contrai enquanto eu encaro o hospital. O cheiro de desinfectante me irrita ao extremo.
É um cheiro que não combina comigo. Nunca combinou. Sempre fui o homem que mandava outros para lugares como esse, e não o que esperava do lado de fora, com sangue seco nas mãos e o coração batendo fora do ritmo.
Elise é levada às pressas pelas portas duplas.
— Ferimento por arma de fogo, consciente, pressão caindo! — alguém grita.
— Ela está perdendo muito sangue!
Minha mão puxa uma das médicas com firmeza, e a mesma me encara.
— Faça o que for preciso, e não esqueçam que metade desse hospital recebe doação da família Cross.
Ela engole o seco e assente.
As portas se fecham.
E eu fico.
Parado, me sentindo um completo inútil.
Passo a mão pelo rosto e só então percebo que estou tremendo. Meus dedos ainda estão vermelhos. O sangue dela não sai fácil. Parece impregnado na pele. Como se quisesse me lembrar, segundo após segundo, que isso é culpa minha.
Se eu não tivesse