19. Erro
Elise Quinn
A dor me acorda antes de qualquer primeiro pensamento.
Não é uma dor específica. É um conjunto delas. Uma pressão no peito, um peso estranho no corpo, como se eu tivesse sido atropelada por algo invisível. Tento me mexer e um gemido escapa da minha garganta antes que eu consiga impedir.
— Droga. — murmurei.
Abro os olhos devagar.
O teto branco me cega por um segundo. Luz demais. Cheiro de hospital. Antisséptico. Limpo demais para combinar com a sensação de sujeira daquele maldito galpão que ainda parece grudada em mim.
Respiro fundo.
E então eu vejo.
Atlas está sentado numa poltrona ao lado da cama, o corpo jogado para trás, a cabeça apoiada na parede. Os olhos fechados. O maxilar tenso até dormindo. A camisa ainda manchada de sangue.
Seus cabelos estão jogados no rosto, e eu sorrio fraco ao vê-lo ali. Comigo.
Meu coração dispara.
O galpão. A ameaça sussurrada perto demais do meu ouvido.
Meu corpo inteiro se enrijece.
— Ei… — a voz dele surge. — Está tudo bem. Você está se