12: Você não é um fardo

O som abafado das explosões acima de nós começou a diminuir, substituído pelo chiado estático dos rádios de comunicação. O bunker, com sua iluminação avermelhada, parecia um útero de concreto — quente, apertado e assustadoramente seguro. O cheiro de pólvora ainda impregnava as roupas de Dominic. E o meu coração? Meu coração não sabia mais o que sentir.

Dominic se afastou minimamente, mas não o suficiente para que eu conseguisse respirar direito. Seu rosto estava a centímetros do meu, os olhos cinza escuros como tempestade prestes a desabar. A mão dele ainda estava apoiada na parede atrás da minha cabeça, e eu conseguia ver o sangue seco no corte do seu ombro. Ele nem sentia. Só me olhava.

— Meus homens limparam o perímetro — ele disse, a voz saindo rouca, como se tivesse engolido estilhaços. — Foi uma tentativa coordenada dos russos. Eles sabiam exatamente onde você estava.

— Como? — sussurrei, sentindo um frio na espinha que não vinha da temperatura do bunker. — Como eles sabiam?

Dominic apertou os olhos, e por um segundo vi algo que ele tentava esconder: culpa.

— Há uma informante. Alguém de dentro. Vou encontrá-la e vou arrancar o nome do mandante com os próprios dentes, se necessário.

O jeito que ele disse aquilo, com uma calma gelada, deveria me aterrorizar. Em vez disso, senti uma coisa estranha: alívio. Não por ele querer matar alguém, mas porque ele estava falando de proteção. De mim.

— Eles nunca vão parar, não é? — perguntei, e minha voz tremeu no final. Enrolei os braços em volta do meu próprio corpo, tentando conter o calafrio. — Enquanto eu for um "ativo", serei um alvo. Uma isca. Um fardo.

— Você não é um fardo.

A frase foi dita tão baixo que quase não ouvi. Ele se afastou de mim, virando-se para o painel de monitores. As telas mostravam corpos sendo removidos do jardim, vidros quebrados, manchas escuras no mármore branco. O rastro de destruição. O rastro de quem veio por minha causa.

— Eles sabem que você é a única coisa que me faz hesitar.

O ar desapareceu dos meus pulmões.

— O quê?

— Você acha que eu não tive tempo de atirar naqueles dois que entraram pela janela? — ele deu um passo em minha direção. Hesitei em recuar. Não recuei. — Eu hesitei, Luísa. Porque se eu atirasse antes de te colocar a salvo, as balas poderiam te atingir. Você está no meio da minha mira e do meu alvo. Isso não acontece há anos. Ninguém ocupava esse espaço.

Meu coração batia tão forte que eu jurava que ele podia ouvir.

— Então o que você sugere? — minha voz saiu mais fraca do que eu gostaria. — Me jogar na rua e torcer para que os russos não me achem?

— Não.

Ele chegou tão perto que eu pude sentir o calor do corpo dele através do tecido fino do meu vestido. O cheiro de fumaça, de metal, de suor e algo mais — algo que era só dele. Ele ergueu a mão e tocou meu queixo com os nós dos dedos, levantando meu rosto para que eu não pudesse desviar o olhar.

— Se você ficar aqui como minha refém, eles vão continuar bombardeando esta casa até não sobrar pedra sobre pedra. Eles sabem que te tenho. Sabem que você não é bem-vinda. E vão usar isso para me sangrar aos poucos.

— Então me deixe ir! — exclamei, e a frase saiu como um tiro. Mas até meus próprios ouvidos perceberam a fraqueza nela. — Se eu sumir, o interesse deles acaba...

— Se você sumir, eles te acham em 24 horas — ele interrompeu, a voz baixa, quase um rosnado. — E o que sobrou do seu pai vai ser usado para te atrair para uma armadilha. Você acha que eu não sei o que os russos fazem com mulheres que pegam sozinhas em estradas desertas, Luísa? Eles não matam. Eles fazem pior.

Continue lendo este livro gratuitamente
Digitalize o código para baixar o App
Explore e leia boas novelas gratuitamente
Acesso gratuito a um vasto número de boas novelas no aplicativo BueNovela. Baixe os livros que você gosta e leia em qualquer lugar e a qualquer hora.
Leia livros gratuitamente no aplicativo
Digitalize o código para ler no App