11: Um ataque surpresa

O silêncio que se seguiu à minha descoberta foi quebrado apenas pelo som da chuva pesada que começou a fustigar as janelas do escritório. Eu ainda estava nos braços de Dominic, sentindo o calor do seu corpo contra o meu, quando um estrondo que não era um trovão sacudiu a mansão.

O vidro da janela imensa estilhaçou.

— Chão! Agora! — Dominic rugiu, me empurrando para baixo da sua pesada escrivaninha de carvalho com uma força bruta.

Tiros ecoaram, rápidos e rítmicos. O som de vidros quebrando e gritos no jardim transformou o santuário de Dominic em uma zona de guerra. Encolhida sob a mesa, cobri os ouvidos com as mãos, o pavor paralisando meus pulmões. Dominic estava agachado ao meu lado, uma pistola preta agora em sua mão, os olhos fixos na porta.

— Fique aqui. Não se mexa, não importa o que aconteça — ele ordenou, a voz gelada, desprovida de qualquer emoção que não fosse o instinto de combate.

— Dominic, não me deixa sozinha! — supliquei, segurando a barra da sua camisa.

Ele me olhou por um segundo, e vi o "Lobo" em toda a sua glória letal. Mas, antes de sair, ele segurou meu rosto e pressionou a testa contra a minha.

— Eu vou voltar.

Ele se afastou e disparou contra dois homens que tentavam invadir o escritório pela janela quebrada. O som era ensurdecedor. Dominic se moveu com uma agilidade assustadora, derrubando os invasores antes que eles pudessem sequer mirar.

Mais explosões sacudiram os portões. O cheiro de fumaça e pólvora começou a invadir o recinto. Dominic voltou para perto de mim, me puxando pelo braço enquanto recarregava a arma.

— O bunker. Precisamos descer agora.

Ele me guiou pelo corredor, mantendo seu corpo como um escudo entre mim e as janelas. Cada vez que um tiro era disparado em nossa direção, ele me empurrava contra a parede, cobrindo-me com seu próprio corpo. Senti estilhaços de gesso caírem sobre meus cabelos.

— Lilian! Cadê a Lilian?

— Ela está com Gonçalo, não se preocupe.

Entramos em um elevador de serviço escondido atrás de uma estante na biblioteca. O cubículo era apertado, forçando-nos a ficar colados um ao outro. Eu tremia tanto que meus dentes batiam. A adrenalina corria pelo meu sangue, misturada com uma percepção aterrorizante: a única razão de eu ainda estar respirando era o homem armado à minha frente.

— Você está ferido — sussurrei, notando um corte sangrento no seu ombro, onde um estilhaço de vidro o atingira.

Dominic nem olhou para o ferimento. Ele estava focado no painel do elevador, sua respiração pesada mas controlada.

— É apenas um arranhão, Luísa. Foco.

As portas se abriram para um bunker subterrâneo iluminado por luzes de emergência vermelhas. O espaço era pequeno, cheio de monitores de segurança e armas. O calor dos nossos corpos no ambiente fechado era sufocante. Dominic me sentou em um banco e se ajoelhou à minha frente, verificando se eu tinha algum ferimento.

— Eles vieram por sua causa? — perguntei, a voz falhando.

— Eles vieram para me enfraquecer — ele corrigiu, limpando o suor da testa com as costas da mão. — E eles acham que você é meu ponto fraco.

Ele se aproximou tanto que nossos narizes se roçaram. A adrenalina da luta ainda brilhava em seus olhos, mas havia algo mais profundo ali, algo que me fez esquecer o medo por um momento. O perigo lá fora parecia distante comparado à eletricidade entre nós naquele cubículo apertado.

— Dominic... — comecei, mas ele selou minhas palavras com um quase-beijo, parando a milímetros dos meus lábios.

— Se eles quiserem você, terão que passar por cima do meu cadáver, Luísa. E eu não pretendo morrer hoje.

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