📖 Narrado por Dante Ferraz
A voz dela ainda ecoava na minha cabeça.
As palavras simples.
A decisão feita.
A porra da calma no jeito que ela dizia que ia embora.
Senti o chão abrir sob os meus pés.
O sangue gelar.
A respiração pesar.
Ela sorria.
Aquele sorriso bonito.
Aquele sorriso de quem já aceitou perder mas não culpa ninguém por isso.
E eu?
Eu fiquei ali.
Travado.
O punho cerrando devagar.
O peito explodindo numa raiva muda.
Raiva dela?
Não.
Raiva de mim.
Porque, no fundo, eu sabia.
Sabia