ISABELLA
As vozes chegam primeiro — um sussurro pesado em russo que se infiltra pelo corredor como água suja. Não precisam ser claras para eu saber o que significam: perigo.
Aquela língua já ecoou demais nos meus pesadelos; tem o gosto de ferro na boca quando a ouço. Mamãe me ensinou a teme-lo.
“Você sobrevive, Isabella.” A frase de Donatella vem como lembrete, como ordens enfiadas no meu corpo desde que aprendi a caminhar entre sombras. Repito em silêncio, mastigando as palavras até que se to