O fórum respirava cedo. O som dos passos no corredor parecia mais baixo do que em outros dias, como se as paredes soubessem guardar o que estava por acontecer. Eduardo ajeitou a toga e sentou, a caneta alinhada com o bloco, o relógio dois dedos para a esquerda. O processo era simples: uma oitiva para confirmar horários de entrega num laboratório terceirizado. Nada que, em condições normais, exigisse coração. Mas aquela manhã tirava o termo “normal” da pauta.
— Audiência aberta — anunciou, voz l