Desde a noite do diálogo no sonho — “Você também ouve?” “Sim.” — Vivian passou a andar com o corpo um pouco inclinado, como quem escuta uma frequência que os outros não percebem. No camarim, prendeu a trança e, antes de passar o batom, escreveu no caderno: “Se duas pessoas acordam com a mesma palavra, então não é só sonho — é ponte.” Ao lado, desenhou um piano aberto e uma linha curva que parecia vento sobre as cordas.
Gaia apareceu com duas xícaras e aquela calma que parece capa de livro. — Ho