Ramiro Delgado não precisava falar alto. O silêncio dele era suficiente para moldar a sala. Sentado à cabeceira de uma mesa de madeira escura, observava os homens ao redor com olhos que nunca piscavam no momento errado. Um assessor lhe entregou uma pasta; ele abriu, olhou meia página e fechou.
— Já chega — murmurou, e o simples gesto fez os outros se calarem.
Naquela noite, em uma de suas fazendas nos arredores de Londrina, Ramiro decidiu mover a primeira peça. As gravações de Azevedo tinham vo