O dia amanheceu pesado, com nuvens baixas cobrindo o céu. O ar carregava a promessa de conflito, e eu sentia cada vibração da floresta, cada cheiro, cada som, mais intensamente do que nunca. Augusto estava ao meu lado, firme, vigilante, como se pudesse sentir tudo que se movia à distância.
— Alguma vez você já enfrentou invasores sozinho? — perguntei, tentando quebrar o silêncio, mas minha voz traía uma mistura de curiosidade e nervosismo.
— Muitas vezes — respondeu ele, os olhos dourados fixos em um ponto distante entre as árvores. — Mas nunca com você ao meu lado.
O comentário fez meu coração acelerar. Não era apenas proteção que ele me dava; havia reconhecimento, e algo mais, uma faísca de vínculo que crescia cada vez mais.
— E você vai ver hoje… — murmurou, com um meio sorriso. — Que sua coragem vai ser testada.
Não tive tempo de responder. Um movimento rápido chamou nossa atenção. Entre as árvores, dois lobos surgiram. Não eram membros da nossa matilha. Um deles avançava confiant