Hellena
A noite tinha gosto de ferro e medo.
O som da luta ainda ecoava na minha mente, como um trovão que não se apaga. Aquele uivo — selvagem, rouco, arrepiando até o fundo da alma — parecia grudado na minha pele.
Eu tremia. Não sabia se de frio, adrenalina ou da lembrança de como Augusto se moveu.
Ele não era humano. Não completamente.
Estávamos sozinhos agora. O silêncio era pesado, quebrado apenas pelo som irregular da minha respiração. Ele caminhava de um lado para o outro, o corpo cobert