O tempo não cura tudo. Às vezes, só disfarça o que continua sangrando por dentro.
Desde o ataque, nada parecia igual. Acordava suando frio, sentindo o coração acelerar sem motivo, e o mesmo cheiro — madeira, chuva e algo que queimava suavemente — invadia minha mente antes mesmo de abrir os olhos.
Era o cheiro dele.
De Augusto.
Por mais que eu tentasse me convencer de que era só o trauma, que tudo o que aconteceu naquela noite tinha me deixado sensível demais, havia algo diferente. Eu sentia qua