O vento frio cortava meu rosto enquanto avançávamos pela trilha estreita da floresta, cada passo ressoando sobre folhas secas e galhos quebradiços. O sol já se escondia completamente atrás das árvores, e a penumbra criava sombras longas e oscilantes ao redor de nós. Meu corpo estava em alerta constante, cada cheiro, cada som, cada movimento parecia amplificado. Augusto andava à minha frente, ombros tensos, olhar fixo na escuridão à nossa frente, como se cada árvore pudesse esconder um inimigo invisível.
Eu sentia o calor do corpo dele mesmo sem tocá-lo, uma presença que preenchia o ar ao meu redor. Meu coração batia acelerado, entre medo, excitação e aquela atração incontrolável que sempre me deixava tonta. Era impossível negar: o vínculo entre nós era visceral, instintivo, selvagem. E, quanto mais perto dele eu ficava, mais consciente me tornava de que não havia retorno.
— Hellena — murmurou Augusto, voz baixa, rouca, carregada de tensão — fique perto de mim. Não olhe para os lados.