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》 Kylie Bartlett

Depois de alguns minutos vendo eles montarem planos, eu foco, enfim, a minha atenção no mesmo homem que eu prendi dois dias atrás, e muitas outras vezes.

Ele está em pé, muito sério e faz gestos apontando para a planta de uma casa que está em cima da mesa. Seus músculos se contraem por dentro das mangas longas enquanto ele fala. Seu olhar não é fixo, ele olha nos olhos de cada um dos meninos enquanto fala pra ter a certeza de que todos estão ouvindo perfeitamente.

Ele faz algumas caretas quando para pra pensar, mas isso deixa a beleza dele ainda mais evidente. Quem consegue ficar bonito fazendo careta? Ele consegue.

Mas por que eu estou falando disso mesmo?

Assim que afasto os meus pensamentos, percebo que estou morrendo de fome.

Agradeço a Deus quando Zayn finaliza a reunião parecendo ler os meus pensamentos, e os meninos levantam.

- Tchau, detetive - Max diz - e boa sorte.

- Boa sorte? - pergunto confusa.

- Pra viver com o predador aí - ele aponta pro Zayn que ri.

- Vai embora, Max - Zayn.

Vejo todos os homens saírem pela porta da frente e viro pro Zayn que está olhando pro papel. Me aproximo dele parando ao seu lado e olho para a planta da casa.

- Vamos mesmo invadir essa casa amanhã? - pergunto olhando pra planta.

Percebo que ele tem um perfume maravilhoso, mas logo me recomponho.

- Sim, exatamente - ele diz - vamos entrar por aqui - ele aponta para janelas - e vamos subir aqui, até chegar aqui, no quarto dele. Provavelmente o computador deve estar escondido lá dentro, então vamos procurar, tentar desbloquear e procurar algo a nosso favor - ele olha pra mim - consegue fazer isso?

É o que?

- Você acha que sou incompetente? - levanto uma sobrancelha e ele ri.

- Se eu achasse isso, você não estaria aqui. Falei por conta do seu trabalho, e tal - ele diz.

- Consigo fazer sim - falo olhando nos olhos dele. Ele volta a ficar sério - quando vamos lá?

- De madrugada.

- Não costumo fazer isso sem um mandato, já estou me sentindo mal...

- Vamos só entrar sem ser convidados, gatinha - ele fala e percebo o seu olhar na minha boca.

- Eu estou com fome - falo mudando de assunto e me afasto.

- A cozinha é aqui, vem - ele diz e eu o sigo até o cômodo enorme e bonito - não tem empregados aqui hoje então vamos fazer nossa própria comida.

- Você quem escolheu essa casa? - pergunto fazendo ele me olhar confuso - ela é linda. Você quem escolheu?

- Fui eu sim - ele abre a geladeira - você quer comer o quê?

- Você que vai cozinhar? - pergunto surpresa.

- Eu sei fazer de tudo, gatinha - ele me pisca um olho - e sou bom em tudo que faço. Você pode experimentar se quiser - ele dá um sorriso malicioso.

- Você poderia demonstrar menos que quer me agarrar - cruzo os braços e me aproximo dele.

- Não tenho culpa se a senhorita esquentadinha é sexy - ele põe alguns ingredientes numa mesa.

- Não me chama assim - falo irritada. Foi assim que o amigo dele me chamou.

- Desculpa, gatinha. Já foi cortado da minha lista de apelidos pra você - ele leva umas verduras até a pia e os lava - você não gostou muito do Arthur e Stuart, né?

Pego a faca da mão dele, empurro ele pro lado e começo a cortar as coisas. Não consigo ficar parada só olhando.

- Eles são insuportáveis - resmungo cortando os tomates perfeitamente e em uma certa rapidez.

- É porque você é policial - ele diz cortando as cebolas ao meu lado.

- Como se vocês fossem do mesmo mundo que eu né? E nem por isso eu sou chata - falo e ele olha pra mim - é o que? Eu sou chata?

- Pra caralho - ele ri - você é quase insuportável.

Sou rápida em puxar o revólver da minha cintura e apontar pra testa dele. Ele não se assusta, muito pelo contrário, dá um sorriso.

- Fala de novo - ameaço com um sorriso.

- Você é um amor de pessoa e fica sexy pra caralho apontando isso pra mim, acho que é um novo fetiche - ele fala e eu rio deixando o revólver de lado e indo lavar as mãos pra pegar na comida de novo.

- Nojento.

- Percebeu que não sou ameaça pra você?

- Exatamente. Você não me assusta, não preciso fingir que estou com medo. Agora me diz logo o que você vai fazer com essas coisas - falo terminando de cortar tudo.

- Eu também não sei - ele diz pensativo - a gente pode fazer uma coisa rápida, tipo macarrão? Aí usamos isso aqui no molho - ele sugere.

- Pode ser.

Enquanto nós fazemos as coisas, eu puxo assunto com ele e nós conversamos um pouco.

- Você odeia mesmo que eu te chame de gatinha? - ele resmunga.

- Na verdade já me acostumei. E eu tenho que te chamar de que? Z?

- Só os meus amigos da gangue me chamam de Z. Você pode chamar de Zayn, ninguém me chama assim.

- É um nome bonito - lavo as mãos e me sento em uma das cadeiras da mesa.

- Igual ao dono - ele diz e eu rio dele - bom saber que você também sabe cozinhar.

- Eu também sei fazer um pouco de tudo, Zayn. E eu também sou ótima em tudo que faço - falo e ele morde o lábio.

- Só acredito vendo - ele diz e eu rio.

- Acha que só você sabe fazer as coisas? Tenho certeza que sou bem melhor que você em várias coisas, só temos que ver em quê - cruzo os braços e lhe envio um olhar desafiador.

- Pra quem queria me matar há uma hora atrás você tá bem soltinha, né? - ele lava as mãos - parou de resistir?

- Se for pra eu ficar aqui, que seja com uma boa convivência - dou de ombros - e com você longe de mim, estou ótima.

- Eu não vou te tocar mais do que você permita - ele encosta na mesa - quer saber qual de nós dois somos melhores em toque? - ele morde o lábio e eu reviro os olhos.

- Você é um safado sem noção - rio também - e você muda de humor bem rápido. Fiquei surpresa quando te vi falar com os meninos na sala - ajeito as mangas do casaco.

- Nós somos amigos, mas os negócios são a parte. Eu sou extremamente rigoroso quando o assunto é nosso trabalho. E eu estou sempre agindo de acordo com a situação. Eu posso estar aqui sorrindo e conversando com eles, mas não duvide que em dois segundos eu esteja dando uma surra porque algum deles tocou você - ele fala sério - gosto apenas de ser respeitado.

- Eu não respeito você e você não parece se importar - falo levantando uma sobrancelha.

- Porque o motivo de eu gostar de você é exatamente esse. E você não trabalha pra mim e nem faz parte da gangue. Eu lido diariamente com as piores coisas possíveis, e também trabalho com vadias que quando me veem, abaixam a cabeça. Você é a única mulher que não tem medo de me xingar ou me bater, foi o que me deixou fissurado em você na primeira vez que me prendeu - ele diz.

Uau.

- Sempre soube que você tinha uma queda por mim - falo e ele ri. Gosto da risada dele.

- Eu acho que sou masoquista - ele diz me fazendo rir também - e eu gosto de te irritar.

- E você consegue fazer isso facilmente. E outra, na próxima vez que algum amigo seu me chamar de apelidinhos, eu vou socar a cara deles e você vai ter que me parar antes que ele me dê um tiro - falo séria.

- Por que você não atira nele antes?

- Não quero me tornar uma assassina - resmungo - estou bem como estou.

- Tudo bem - ele ri - mas me diz uma coisa, quando que eu vou poder avaliar o seu corpo? Você não facilita pra mim - ele faz beicinho.

- Nunca - sorrio - e fica longe senão chuto o seu bem precioso!

- Como sabe que é precioso? Sonhou com ele? - ele morde o lábio.

- Idiota - reviro os olhos.

- E gostoso - ele diz indo até o fogão e desligando o macarrão.

- Sobre isso eu não posso confirmar, não achei isso tudo - provoco levantando e pegando a panela do molho.

- Não? - ele sorri maliciosamente e despeja o macarrão numa vasilha.

- Não - falo colocando o molho por cima.

Zayn sorri desafiador e tira a camisa. Talvez eu tenha olhado um pouco mas foi até eu cair na real e fazer cara de deboche.

Em minha defesa, ele tem algumas cicatrizes bizarras que me chamou a atenção.

- Fazer essa cara depois de me secar não adianta. Eu sou gostoso e você sabe - ele diz indo pra um armário e pegando pratos - todo mundo sabe.

- Que você é iludido? Devem saber mesmo - falo e ele ri.

- Quero ver você fazer essas piadinhas quando cair na tentação - ele vai até a geladeira e pega suco de caixa.

- Que tentação? Você? - rio vendo-o sentar do meu lado e me inclino pra ficar com o rosto próximo ao dele - eu e você nunca vai rolar.

- Tudo bem, eu acredito - ele sorri bem próximo a mim e se afasta - vamos comer logo ou vai esfriar.

Faço careta e observo ele. Ele tá com um sorriso convencido nos lábios como se tivesse a certeza absoluta que eu vou me jogar em seus braços.

Tudo bem, ele é lindo, é bem gostosinho, mas ainda é um bandido. E eu ainda sou detetive da polícia. Sem chances de acontecer algo.

Mas isso não quer dizer que eu também não posso provocar, porque tenho certeza que isso é que vai me distrair por aqui.

- Não esquece que qualquer coisa você manda mensagem avisando - Zayn fala sério pro Stuart.

- Sim, senhor - ele responde.

- E você, fica de olho do outro lado também. E se alguém chegar, você e Dave estão encarregados de despista-los pra nós sairmos da casa - ele fala pra Max.

- Sim, senhor - Dave e Max.

Esse foi o diálogo antes de Zayn e eu entrarmos nessa mansão incrível e subirmos logo pro quarto.

Abro os armários e só vejo roupas e mais roupas. Zayn mexe nas gavetas dos outros armários.

Ok, Kylie, pare de pensar no caminho mais fácil. Se eu tivesse algo importante num computador, onde eu o esconderia?

Passo o olho pela sala e vejo um quadro torto.

- Um cofre, claro! - vou até o quadro, tiro o mesmo da parede e sorrio por ter acertado.

- Você é uma gênia - Zayn diz digitando uns números que logo abrem o cofre.

- Só pensei mais como vocês - sorrio.

O cofre tem bastante dinheiro, mas isso não parece interessar o Zayn. Ele só pega o computador, se aproxima da cama e se ajoelha pra mexer no aparelho. Nós dois estamos usando luvas.

Zayn tapa a câmera antes de tudo, escreve um código que tem em um pedaço e papel e vejo que o computador desbloqueou. Aproveito pra olhar em volta desse quarto enorme.

O quarto não tem nenhuma decoração a mais desse padrão que, provavelmente, foi projetada por um decorador.

- Porra, não tem nada nessa merda - Zayn resmunga - ou ele quer que pareça. Se você devesse pra alguém, onde ia guardar suas coisas importantes, Bartlett? Quem mexe com isso de computador é o Velmont, eu sou péssimo.

Penso um pouco. Um lugar que não fizesse parte da memória do computador e que ainda assim guarda tudo?

- No e-mail é uma boa. Tipo um deepweb - falo.

Zayn mexe no computador, abre o e-mail e sorri parecendo encontrar algo.

- Cacete, mulher, a sua inteligência me excita! - ele fala encaminhando tudo pro e-mail dele e apagando o histórico.

- Obrigada pelo elogio - rio olhando pela janela. Vejo um carro preto se aproximar e arregalo os olhos - Zayn, chegou alguém!

O celular do Zayn vibra e eu sei que é mensagem de um dos meninos. Zayn tira o negócio da câmera, desliga o computador, levanta em passos rápidos e vai até o cofre. Ele guarda o computador, fecha o cofre e põe o quadro. Ajeito-o deixando torto como antes.

- Ele já entrou então não podemos sair do quarto agora, vem - Zayn me puxa pra um dos armários e põe a mão na minha boca.

Estou de costas pra ele e sinto a sua respiração no meu ombro quando vejo por pequenas frestas um homem entrar no quarto.

Fecho os olhos e só então a ficha cai. Estou na casa de um assassino, estuprador e podofilo, e ele pode me achar aqui e me matar a qualquer momento. E o pior de tudo, não vim armada.

Sem que eu perceba, estou tremendo de medo e me sinto fraca.

- Ei, relaxa - Zayn fala baixo no meu ouvido - nada vai nos acontecer, ok? Não precisa ficar com medo, eu estou aqui, eu vou proteger você. Sempre.

Sempre...

Não sei porque, mas suas palavras tem efeito imediato em mim, o que me deixa bem mais calma.

O que me chama a atenção agora é algo crescendo e sendo pressionado na minha bunda involuntariamente. Me viro pra frente com cuidado pra não fazer barulho, mas o negócio fica ainda pior.

- Você tem que aprender a se controlar - sussurro bem perto dele e ele ri.

Ele não está mais cobrindo a minha boca e estamos com os rostos tão próximo quanto nossos corpos.

- Eu controlo tudo em mim, menos uma ereção - ele fala no mesmo tom - eu disse que a sua inteligência me excita, ainda com você aqui perto assim...

Vejo o homem tirar o quadro, digitar a senha e fazer uma cara estranha.

Ai meu Deus, será que deixamos algo fora do lugar?

Me surpreendo quando Zayn me puxa pra perto dele, sem maldade alguma. Deito a minha cabeça no seu ombro e vejo quando ele mexe no celular, que é a única luz que temos aqui dentro. Nesse momento a ereção dele é o de menos.

- Os meninos vão tirar ele daqui, relaxa - ele sussurra.

- Tudo bem - assinto.

Ouço um barulho alto vindo de fora e o homem olha pela janela. Ele parece se assustar e corre pra fora do quarto deixando tudo ali em cima.

- Vem! - Zayn diz abrindo o armário e me puxando pra fora dele.

Zayn pega algo na cama, nós dois corremos pra fora do quarto, descemos as escadas e saímos exatamente por onde entramos. Pelas janelas.

- Meu Deus... - resmungo.

- Ele está lá na frente, então vamos pelos fundos - ele me puxa pela mão.

Corremos pro fundo da casa e eu respiro em alívio ao ver Stuart dentro de um carro branco. Nós nos aproximamos e entramos nos bancos dos fundos. Stuart arranca com o carro.

Finalmente me permito respirar fundo e tentar acalmar as batidas do meu coração.

Nunca mais faço essas coisas desse jeito.

- Conseguiram? - Stuart.

Zayn olha e sorri pra mim.

- Sim, conseguimos.

- Como foi?

- Quer responder, Bartlett? - Zayn ri relaxando no banco.

- Foi uma merda. Eu já invadi casas, com mandatos, claro, mas a adrenalina dessa vez foi uma loucura - suspiro descansando no banco - saber que eu estava a um fio de morrer...

Stuart diminui a velocidade agora que já estamos na estrada mais calma.

- Não é pra tanto, gatinha. Eu poderia morrer, você não. Eu estaria lá, e se algo me acontecesse, os meninos apareceriam lá mais rápido do que você imagina - ele me olha.

- Espero mesmo que sim, se eu morresse desse jeito eu ia voltar pra puxar o seu pé e te assombrar a noite - resmungo o fazendo dar risada.

- Eu ia amar te ter no meu quarto de noite - ele morde o lábio e eu lhe dou o dedo do meio.

- Você tinha que me falar que eram missões suicidas, eu teria me preparado melhor - tiro a touca do meu cabelo. Coloquei pra me previnir de cair algum fio e alguém achar.

- Eu sou o seu novo parceiro agora, vai se acostumar. Olha, eu peguei esse pen drive antes de sair - Zayn me mostra - deve ter alguma coisa interessante aqui.

Pego o pen drive da mão dele e observo o objeto.

- É ouro? - pergunto e Zayn assente - percebi pelo peso também. É bem bonito.

- Eu tenho um HD de ouro, pesa pra caralho.

- Pra quê comprar essas coisas caras assim? As mais comuns não fazem a mesma coisa?

Ele me analisa.

- Não sei. Quando se tem muito dinheiro, tudo o que a gente pensa é gastar - ele diz e eu assinto concordando.

- Vocês são uns idiotas - falo e ele ri de novo.

- Gostei da declaração, gatinha - ele pisca um olho e pega a minha mão direita.

Observo Zayn tirar as minhas luvas lentamente, deixar um beijo em cima dela e fazer o mesmo com a outra.

Eu hein...

Ele tira as próprias luvas, me pisca um olho e solta um beijo.

- Você usa isso com todas?

- Hm, digamos que eu não levo as mulheres pra invadir casas comigo, apenas levo-as pra cama - ele morde o lábio.

- Idiota - resmungo e ele ri.

- Você já disse isso.

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