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》 Kylie Bartlett

- Eu estou morrendo de fome - resmungo me sentando na outra cadeira da mesa.

- Sempre está, né - Stass diz terminando de colocar as coisas na mesa.

- Em minha defesa, não tenho tempo pra comer o dia todo - falo separando comida pra mim - inclusive só tenho uma hora pra comer, me arrumar e ir pra lá.

- Eu tenho uma hora e meia - ela diz olhando o relógio - amanhã começa as minhas férias, finalmente!

- Vai fazer o que durante esses dias? - falo comendo.

- Vou dormir tudo o que não dormi todos os dias de trabalho - ela fala e eu rio - e fazer coisas que nunca mais fiz, tipo ir à praia, shopping ou sei lá. Só viver a vida mesmo.

- Não vai marcar de sair com o Victor? - sorrio bebendo café.

- Ele ainda não me ligou - ela faz beicinho - mas ele deve ligar em alguns minutos.

- Por que? - levanto uma sobrancelha.

- Ele sempre me liga por esse horário, sabe que vou pro trabalho - ela sorri boba.

Não sei como ela se apaixona tão rápido.

Ouvimos um celular tocar e ela abre um sorriso enorme. Ela pega o celular me fazendo sorrir também e me dá um olhar.

- Tudo bem, vou ficar quieta. Ele nem vai saber que eu estou aqui - falo comendo.

Ela atende a ligação e põe no viva-voz.

- Alô? - ela morde o lábio.

- Hey, linda - ouço uma voz grossa e arregalo os olhos. É mesmo bem gostosinha de ouvir.

- Oi, Victor - ela me olha sorrindo - pensei que não ia me ligar mais.

- Eu tive uns probleminhas e só consegui ficar livre agora - ele diz - você ficou chateada?

- Talvez um pouco preocupada - ela diz - mas esquece isso. Ligou só pra me dar bom dia? Se foi pra isso, você ainda não deu.

Escuto a risada dele e sou obrigada a colocar a mão na boca pra não rir alto.

- Então bom dia, linda - ele diz - eu queria poder te chamar pra sair hoje, mas eu tenho compromisso à noite - Stass faz careta - Podemos sair amanhã? - ela sorri de novo.

- Uhum. Você liga pra confirmar horário?

- Ligo sim. Vou ter que desligar, ok?

- Tudo bem. Até amanhã.

- Até amanhã, linda - ele diz e ela desliga a ligação.

Dou um gritinho em animação.

- Eu amei a voz dele! - falo.

- Ele não é um fofo, amiga? Ai, acho que tô apaixonada - ela diz com um sorriso enorme.

- Você acha? Você tá louca de amores já - continuo comendo - e eu gostei dele pelo pouco que ouvi. Vamos ver pessoalmente.

- Você vai se apaixonar, ele é muito lindo - ela diz começando a comer.

- Você sabe que loiros não faz o meu tipo, Stass - reviro os olhos.

- Mas mesmo assim você vai achar ele lindo e gostoso - ela diz e eu rio - não tem como achar aquele homem feio, mana.

- Agora que eu quero conhecer ele mesmo!

Olho o escuro pela janela e resmungo. Tô entediada.

Já resolvi e encaminhei dezenas de casos hoje. Eu sozinha já trabalho bem rápido, com o Turner é ainda mais rápido. Somos uma boa dupla, acredito que a melhor que tem aqui.

Nós dois sempre respeitamos qualquer um que esteja no comando, e deixamos que cada um faça a sua parte. Funciona muito bem porque nós dois conhecemos como devemos nos comportar em cada caso.

- Atenção! - o capitão fala alto chamando a atenção de todo mundo na sala - está rolando um tiroteio na rua Minsk, temos que ir pra lá agora!

Até que enfim emoção!

Me levanto num pulo e vou até o meu armário. Pego meu colete e as coisas que vou usar e me visto no banheiro. Checo as munições nos meus revólveres, e depois de conferir que está tudo certo, me aproximo da minha equipe.

Nós nos separamos nas viaturas e em poucos minutos estamos voando pela estrada com a sirene ligada.

Sinto o vento gelado bater no meu rosto quando entra pela janela e mordo o lábio. Turner, ao meu lado, tem a atenção focada na estrada enquanto ele acelera o carro ultrapassando os limites de velocidade permitidos.

Minutos depois, nós chegamos e todos saímos do carro já com as nossas armas nas mãos.

Os barulhos de tiros são altos. Sou incapaz de contar quantos estão sendo disparados, está acontecendo praticamente uma chuva de tiros.

Nós estamos perto de um mercado enorme abandonado. Provavelmente os tiros estão acontecendo lá dentro, então vamos ter que invadir.

O capitão dá as ordens e eu me preparo pra entrar lá.

- Bartlett? - Turner me chama.

- Oi? - falo indo em direção ao lugar com a arma apontada pra frente.

- Depois que tudo isso acabar, você... - ele para um pouco e eu continuo focada em ver a nossa equipe se aproximando sem fazer barulho - você aceita sair comigo?

Ele me pede isso no meio de um tiroteio?

- Claro que sim, provavelmente eu e a galera vamos sair pra beber e comemorar mais uma semana com casos solucionados. Você pode vir - olho pra ele.

- Não, eu tô falando tipo, só nós dois. Tipo... um encontro? - ele diz.

Paro e encaro surpresa o homem a minha frente.

Travis Turner tem cabelo claro, olhos verdes e um físico muito bom, já que faz academia. Ele é bonito, mas... não faz o meu tipo.

- Hm... depois a gente vê isso, ok? Vamos focar na missão - dou um sorriso pra suavizar.

- Ah, claro. Óbvio, a missão - ele diz balançando a cabeça - vamos focar aqui.

Vou na frente até o lugar, e assim que alguns dos nossos homens arrombam o lugar, todos entramos e nos separamos.

Seguro o meu revólver na altura da minha boca e ando devagar pelos corredores a procura dos responsáveis pelo tiroteio. Vejo alguns homens atirarem de longe e me escondo pra eles não me verem.

- Aqui é a polícia, mãos pra cima! - alguém diz num megafone.

Os homens logo começam a tentar fugir e trocar tiros com a polícia. Vejo um deles de costas e me aproximo rapidamente dele que continua atirando em outros homens do outro lado da sala.

- Não ouviu? Mãos. Pra. Cima - falo pausadamente com o revólver nas costas dele.

Ele vira pra mim e meus olhos arregalam. Ele de novo?

- Cacete, você tá fazendo o que aqui? - ele diz pondo uma máscara - fica atrás de mim - ele volta a atirar e se coloca na minha frente pra... me proteger?

Ouço um barulho e sinto um cheiro estranho de gás. Por isso ele colocou a máscara.

- Eu sou da polícia, esqueceu? Para de atirar e coloca as mãos pra cima agora ou eu te dou um tiro! - falo séria.

- Porra, se eu parar aqui eu morro! - ele me puxa pra um canto ainda me escondendo atrás dele e continua atirando.

Levanto o meu revólver na direção do homem do outro lado do corredor e dou dois tiros. Ele cai com as mãos nos ombros.

- Foi tão difícil assim? - debocho da cara dele - agora mãos pra cima. Não vou pedir de novo - volto a apontar pra ele.

- Uau... - ele diz surpreso.

A minha visão fica turva e a minha cabeça pesa. Mas que diabos?

- Que... que cheiro é esse? - falo tonta.

‐ É gás. Você vai dormir daqui a pouco e eles vão tentar te matar - ele diz irritado - porra, não era pra você ter vindo. O que deu em você pra vim aqui?

- Eu... - falo sentindo a minha visão pesar - sou da polícia, merda...

Ouço um tiro e vejo a bala passar perto de mim. Tento arregalar os olhos, mas não consigo. Não consigo fazer nada.

Olho em volta vendo a maioria da minha equipe, inclusive Turner, desmaiados no chão, junto com alguns corpos de bandidos baleados.

Cacete, vamos morrer!

- Ei, tenta cobrir o nariz e respirar só pela boca - ele diz ainda sem me olhar. Não consigo mais ficar em pé e deslizo pela parede.

- Eu... - falo sonolenta.

- Que caralho! - ouço ele xingar - fica acordada, merda. Não fecha os olhos e não dorme - ele agacha ao meu lado.

- Hm...?

- Puta que pariu... FICA ACORDADA!

Os sons de bala e de vozes vão diminuindo e meus olhos se fecham. Tento abrir, mas não tenho forças. Estou morta de cansaço.

Sem conseguir me manter mais, apago.

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