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》 Kylie Bartlett

Resmungo ao ver mais um corpo sem vida rodeado de sangue e olho a ficha comigo.

Michael Collin, vinte e nove anos, três passagens pela polícia por assassinato, roubo, tráfico de drogas e mais algumas coisas. Ele recebeu sete tiros pelo peito, e assim como o outro corpo, está praticamente nadando em sangue.

Felizmente o assassino já foi pego tentando fugir, então o caso está resolvido.

- Bartlett? - ouço alguém chamar e me viro pra olhar - já acabamos aqui, vamos voltar pra delegacia. Temos que interrogar o assassino.

Assinto e vou até a viatura. Entro, Turner entra, e nós voltamos pra delegacia em silêncio enquanto eu estudo a ficha.

Se tem a coisa que eu mais gosto na minha profissão, é poder interrogar os assassinos. Eu amo olhar nos olhos deles e os fazer falar.

Minutos depois nós chegamos, eu saio do carro e vou acompanhada de Turner até a sala de interrogatório. Eu e meu parceiro entramos, nos sentamos de frente para o suspeito e nos preparamos.

- Eu os matei - o homem diz me deixando surpresa - não precisa fazer perguntas, eu matei.

- Nós ainda precisamos fazer as perguntas - Turner diz sério - então já que você já se entregou, por que não conta logo o porquê de ter feito tudo?

Como o caso é do Turner, ele faz as perguntas, eu apenas o acompanho e pergunto quando acho necessário.

- Michael estava fodendo a minha mulher - ele diz - e Gunther sabia, e não me contou. Gunther sabia que a minha mulher esteve me traindo por anos com aquele filho da puta e não me contou!

- Então você matou o Michael porque ele estava se envolvendo com a sua esposa, e o Gunther porque sabia de tudo? - Turner faz anotações.

- Sim, aquele desgraçado era cúmplice e fingia ser meu amigo - ele diz.

Geralmente nesses tipos de caso sempre acontece de o homem matar a mulher. Esse caso me surpreendeu, de certa forma.

- E a sua mulher? - pergunto realmente curiosa.

- Eu... eu não consegui - ele começa a chorar - eu apontei o revólver pra ela, mas ela me olhou e tipo... ela estava com medo de mim. Quando eu vi aquele olhar, fui incapaz de fazer algum mal pra ela.

Olho pro Turner e ele tem a mesma reação surpresa que eu.

- A sua esposa desapareceu, sabe onde ela pode estar? - meu parceiro diz.

- Eu falei pra ela pegar a nossa filha e fugir de mim. Falei que eu ia beber muito e não sabia do que eu seria capaz de fazer se eu a visse estando bêbado - ele diz - eu... eu não sei onde elas estão.

Turner assente e levanta. Me levanto também segurando minhas coisas com firmeza.

- Você vai ser levado para a sua cela agora - Turner diz - caso a gente precise de mais alguma coisa, vamos te chamar aqui de novo - ele olha pra mim e faz um sinal.

Saio da sala junto com ele e vou até a minha mesa. Deixo as minhas coisas na mesma e me sento.

- Turner - ouvimos o capitão falar - libere o bandidinho. A fiança dele foi paga mais uma vez.

Bem que ele falou que sairia hoje. A fiança dele fica cada vez mais cara, não sei porque ele não toma mais cuidado pra não ser pego.

Ou, obviamente, não apronta mais. Esse é o mais certo e inteligente a fazer. Ele evita passar a noite aqui e evita pagar mais dinheiro também.

Saio de pensamentos quando vejo Turner se aproximar com o moreno ao seu lado. Ele, como sempre, está sorrindo, e com uma cara de deboche ouvindo algo que o Turner diz pra ele.

Os amigos dele saíram mais cedo. Ele continuou porque já tem passagens na polícia.

- Você já vai? - debocho me levantando.

- Meus amigos sentiram saudades de mim - ele faz beicinho e olha pro Turner - me solta! - ele puxa o braço se soltando.

Ele claramente não gosta do Turner.

- Vê se fica quieto, eu não aguento mais ver a sua cara - cruzo os braços e ele morde o lábio.

- Desculpa te decepcionar, mas os seus amigos adoram ir atrás de mim - ele se afasta do Turner fazendo cara feia - esse aqui mesmo não me deixa em paz.

- Olha como você fala comigo, filho da puta! - Turner diz. O moreno vira pra ele com um olhar sério e ele recua dois passos. Rio internamente.

- Só você não fazer nada e ninguém vai atrás de você - falo e ele fica me analisando - tá olhando o que? Vai embora!

Ele ri e me pisca um olho.

- Tchau, gatinha. Nos vemos em alguns dias - ele diz, olha feio pro Turner e vai embora.

- Esse cara é um desgraçado! - Turner diz irritado - não sei como você deixa ele falar com você.

- Ele não me assusta - falo simplesmente.

- Ele também não me assusta - Turner diz.

Hum, claro que não kk

- É por isso que ele gosta de falar comigo, ele se sente desafiado - me afasto do Turner e volto pra minha mesa.

- Sei... - ele fala pensativo.

- O que foi? - me sento de novo e cruzo meus braços.

- Pra mim ele tá aprontando alguma... - Turner.

- Ele sempre está.

》》

- E você acredita que ele estava com outra?

- Claro que sim, Stassie, eu te disse que ele estava se envolvendo com uma loira. Eu vejo todos os dias quando tô indo para a delegacia - me sento ao lado da minha irmã.

- Poxa, eu achava que ele gostava de mim - ela choraminga.

- Ele não presta, e você sempre soube - como mais um pouco de pipoca - não sei porque insistiu por tanto tempo. Você não estava se envolvendo com outro?

- Sim, o Victor - ela sorri.

- E então? Por que não investe nele? - olho pra ela.

- Não sei, ele é bem... misterioso. O beijo é bom, o sexo é ótimo, mas eu não sei o que esperar dele - ela resmunga - ai mana, os homens me odeiam?

- Claro que não, Stass. Eles só não sabem lidar com o mulherão que você é - falo e ela sorri - mas relaxa, você vai achar um que dê conta. Agora me diz sobre esse Victor!

Me ajeito entre os travesseiros e sorrio esperando-a contar.

É sempre assim. Stassie se apaixona por um homem qualquer, fica louca de amor por ele e sempre me conta como ele é incrível. Depois ela se decepciona, se envolve com outro e as histórias se repetem.

- Ele é loiro, tem olhos claros, é muito gostoso e tem uma voz que me deixa louca - ela dá uma risadinha - ele tem algumas tatuagens, ele fuma porque sempre vejo ele fazer isso depois do sexo. Eu o conheci naquela boate que fomos naquela outra vez, ele ficou me olhando e eu acabei indo até ele. Nossa, ele tem mãos e línguas tão ágeis, fico fraca só de lembrar!

Rio alto comendo mais pipoca.

- Investe nele, Stass. Ele parece que dá conta de você - falo.

- Acho mesmo que dá. No sexo pelo menos... - ela dá uma risadinha - e ele é bem legal pra conversar também, ele é inteligente demais. Só não fala muito dele mesmo, parece ser bem reservado.

- Quando foi a última vez que você falou com ele? - me inclino pra pegar o copo de suco no criado mudo.

- Ontem de manhã. Depois disso ele sumiu e eu nem sei o que aconteceu - ela fala pensativa.

- Você ligou pra ele?

- Não, eu sempre espero ele me ligar. Não gosto de parecer grudenta ou desesperada, sabe? - ela pega um pouco da pipoca na minha vasilha.

- Você está certa - falo pensativa - se ele é reservado mesmo, não vai gostar de você em cima dele. Mas ele deve ligar mais cedo ou mais tarde.

- Espero mesmo que sim, eu tô com saudades da voz gostosa dele - ela resmunga e eu rio.

- Sua safada!

- Um pouquinho só - ela deita na minha cama.

Stassie é a minha melhor amiga. Nós nos conhecemos desde a faculdade e sempre estamos uma na casa da outra. Eu nunca tenho nada interessante pra contar a ela, e ela sempre tem uma história de amor diferente pra me contar.

O meu pai e a mãe dela casaram há alguns anos, então nos consideramos irmãs desde então. Ela é a família mais perto que tenho por agora, e eu amo muito essa louca.

Ela trabalha como médica e está sempre de plantão no hospital onde trabalha, mas sempre que acha um tempo, ela vem pra cá e nós cuidamos uma da outra.

Os nossos trabalhos nos deixam mortas de cansaço e estamos sempre mexendo com sangue.

- E como foi no seu trabalho? Aqueles mesmos caras de sempre?

- Exatamente - resmungo - é incrível que toda semana aquele cara dá um jeito de surgir falsas acusações sobre eles estarem traficando só pra eu o prender. Ele nunca está realmente com drogas, sabe? Só fuma maconha, mas não é ilegal, então...

- Ele continua falando que faz pra ver você?

- Sim e eu estou começando a acreditar nisso.

- Ele é gatinho pelo menos?

Faço careta.

- Sei lá, não fico observando os bandidos que eu prendo, Stassie - reviro os olhos.

- Deveria observar.

- Não, obrigada. Estou tranquila com o meu método de trabalho.

- Chata... - ela cantarola.

- Profissional, eu diria.

- E Turner?

- O que tem?

- Rolou alguma química ou sei lá?

Faço careta.

- Não combinamos em nada. Agora chega, vamos colocar o filme? - pergunto e ela sorri.

- Vamos!

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