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》 Kylie Bartlett

Abro os meus olhos e solto um palavrão pela dor de cabeça. Pisco os olhos algumas vezes e arregalo os mesmos.

Onde estou?

Olho em volta do quarto branco totalmente desconhecido por mim e me levanto.

A porta abre e eu fico ainda mais surpresa.

- Finalmente você acordou! - ele diz me analisando - nossa, você está péssima, gatinha.

Ponho a mão no cinto a procura do meu revólver e suspiro por não sentir ele aqui.

- Merda! - resmungo.

- Procurando isso? - ele tira o revólver da cintura. Com o revólver apontado pra ele, ele estende pra mim e eu pego devagar. Assim que estou com ele, miro a arma no seu pé e aperto o gatilho.

- Você descarregou o meu revólver!? - grito e faço careta de dor.

- Você já ia me machucar? É isso que eu ganho por salvar você? - ele resmunga e sorri.

- Onde eu estou? Por que estou aqui?

- Estamos em uma das minhas casas e você está aqui porque eu não quis te deixar pra morrer - ele diz - e eu acho até que você pode ser útil pra mim.

- Sua casa? Me deixar pra morrer? - falo chocada jogando o revólver na cama - a minha equipe morreu?

- Provavelmente não, nós apagamos todos os homens da outra facção. Perdemos alguns dos nossos também mas foi besteira. Quando a sua equipe acordou, já estavam todos mortos - ele cruza os braços.

Ele está vestido com uma camisa de mangas e um short folgado. Ele está descalço e seu cabelo está numa bagunça bonita.

- E por que não me deixou acordar com eles?

- Pra não correr o risco de nenhum filho da puta ressuscitar e matar você - ele diz tranquilamente.

- Então a minha equipe pode estar morta? - quase grito.

- Sei lá, porra! Eu já disse que apaguei os caras - ele diz impaciente.

- E por que você só me salvou?

- Porque o resto não me interessava - ele diz ainda na porta do quarto.

- Me leva pra lá agora! - falo cruzando os braços.

- Não, não vou levar - ele cruza também.

- É o que? - me aproximo dele.

- Não vou te levar pra lá. Não agora - ele diz ficando de frente comigo.

- Você me sequestrou! - falo percebendo agora o que aconteceu.

- Não tem nada de sequestro, eu nem vou pedir resgate nem nada. Eu vou te levar pra lá depois, eu só preciso que você me ajude - ele diz.

- Eu? Te ajudar? - dou uma risada falsa.

- Exatamente, gatinha - ele diz.

- Em que?

- Você é inteligente pra caralho e é uma das melhores detetives dos Estados Unidos. Eu quero sua ajuda pra descobrir umas coisas, só isso - ele diz.

- Coisas fora da lei?

- Sim, assim como você faz no trabalho.

Penso um pouco.

- E por quanto tempo você vai me manter aqui?

- Acho que no mínimo uns dois meses - ele diz e meus olhos arregalam.

- Dois meses!? No mínimo?

- Sim - ele revira os olhos.

- Não topo, eu vou embora daqui agora mesmo - falo indo até a cama e pegando o revólver.

- Vai? Como? - ele dá um sorriso sacana.

- Vou pedir pra alguém me buscar - falo.

- E como você vai ligar?

Merda. Filho da puta.

- Pois então eu vou sozinha! - falo decidida.

- Você não sabe nem onde você está. Você não está mais nos Estados Unidos, gatinha - ele fala e eu o olho em choque - Você ficou inalando o gás por muito tempo e dormiu pra caramba. Eu já viria pra cá e te trouxe também.

- Me leva pra lá agora!

- Só são dois meses, relaxa - ele sorri - eu não vou te tocar, não vou fazer nada com você. Eu só quero que você use a sua inteligência pra me ajudar - ele diz - e pra te garantir - ele pega o revólver da minha mão e eu o vejo carregar o mesmo - pode usar o seu revólver se for te fazer sentir segura. O meu tá aqui - ele levanta um pouco a camisa mostrando o revólver na cintura - nós dois estamos no comando e nós dois temos poder aqui.

- Você vai me deixar armada? - estou realmente surpresa.

- Eu só quero que você não ache que vou te machucar ou sei lá. Eu não vou atirar em você ou coisa assim, mas você vai ter o poder pra atirar em mim, tá nas suas mãos. Isso não é um sequestro, eu não quero resgate ou nada, eu só... - interrompo ele.

- Quer que eu te ajude a descobrir coisas - completo ainda surpresa.

- Exatamente - ele sorri.

- E se eu não quiser te ajudar?

- Não vai voltar pra lá e aí sim vamos ter que armar um sequestro daqui a alguns meses. Vamos ter que te amarrar, te deixar sem comer e beber, e coisas do tipo.

- É O QUE, FILHO DA PUTA? - grito.

- Tô brincando, caralho! Agora eu preciso descer e encontrar uns amigos, mas o banheiro é ali - ele aponta pra uma porta - o armário tá cheio de roupas, e você pode descer. Pode aproveitar cada canto da casa, inclusive piscina. Só não pode sair dela - ele diz - e eu estou louco pra ver o seu corpo por de baixo dessa roupa toda - ele sorri e sai fechando a porta.

Fico um tempinho olhando a porta ainda sem acreditar no que aconteceu e respiro fundo.

Não sei se posso fazer isso.

Tiro o uniforme, deixo arrumado num canto do quarto e vou até o banheiro. Que banheiro bonito.

Dou uma olhada no espelho pra ver uma cara inchada e amassada de tanto dormir, vou até o chuveiro e tomo um banho longo pra relaxar.

Me enrolo na toalha limpa que achei aqui, escovo os dentes com produtos novos, saio do banheiro e vou até o armário. Uau, tem mesmo muitas roupas. E são todas novas, pelo visto.

Pego calcinha e sutiã do meu tamanho e escolho conjunto moletom largo pra me vestir. Não vou dar o gostinho daquele cara ver o meu corpo.

Depois de vestida, faço um novo coque no alto da cabeça, guardo o revolver na cintura e saio do quarto. Olho pros dois lados do corredor, e vou para o que vejo uma escada.

Meus pés descalços tocam o chão sem fazer barulho e eu desço as escadas olhando cada detalhe dessa casa gigante e luxuosa. Nossa, mas ele é tão rico assim?

Ando pela sala enorme e vejo de longe alguns homens sentados em uma mesa num canto.

Sem ser convidada, me aproximo deles e cruzo os braços.

Conheço todos esses rostos de quando prendi todos eles algumas vezes. Eles fazem uma cara estranha ao me ver, e eu não faço diferente.

- Vou ser obrigada a morar com homens? - viro pro moreno.

Ele vira pra mim e faz uma careta ao ver a minha roupa. Esperava ver meu corpo? rs.

- Não, só eu moro aqui, todos moramos em casa diferente aqui no Canadá - ele diz - você lembra deles, né?

Canadá. Estou no Canadá. NO CANADÁ!

Respiro fundo pra não surtar.

- Sim, eu prendi todos - dou um sorriso debochado.

Os meninos riem.

- O que ela tá fazendo aqui, Z? - um deles diz. Ele é ruivo e tem sardas.

QUE HOMEM LINDO.

Por que eu nunca reparei neles antes?

E quem é Z?

- Resolvi pedir a ajuda dela pra descobrir as coisas sobre o Lockstan - o moreno diz.

- Pediu? Você me apagou e me trouxe pra cá! - falo chocada com a cara de pau.

- E te pedi pra me ajudar depois - ele revira os olhos.

- Você ainda assim não me pediu - falo encarando-o.

- Ela é bem corajosa, né? - um de cabelo preto curto e olhos claros diz - nunca vi mulher nenhuma te responder assim.

- Mas eu não sou qualquer mulher, então se acostumem porque não vou baixar a cabeça pra inflar o ego tosco de vocês - falo deixando-os surpresos. O moreno ri.

- Eu vou apresentar vocês. Gatinha, esses são Max, Dave, Stuart e Arthur. Os outros meninos chegam amanhã - ele diz ao apontar - meninos, essa é a... - ele espera eu terminar.

- Detetive Bartlett pra vocês cinco - falo séria - e não me chama de gatinha, já disse.

- Bem esquentadinha, né? - o tal do Stuart diz.

- Tenta ser sequestrada e manter a calma, seu idiota - resmungo.

- Você me chamou de que? - ele levanta num ato rápido.

- Idiota, quer que eu soletre? - falo chegando mais pra perto dele.

Ele achou que eu ia ter medo?

- Senta, Stuart - o moreno diz e eu olho pra ele que sorri orgulhoso.

Stuart senta ainda com cara feia.

- Eu adorei ela! - Max diz sorrindo.

Max é o ruivo lindo. Ai que sorriso...

- Eu também, ela tem atitude - Dave - agora sei porque você a escolheu.

Ele é o de cabelo preto curto e olhos claros.

- Por que você me escolheu? - pergunto ao moreno.

- Porque você não tem medo de mim - ele diz.

- Nem eu, nem ninguém na delegacia. Por que não escolheu Turner? - resmungo.

- Aquele banana? Ele se caga de medo de mim - ele ri.

- Não é verdade.... - eu sei que é.

- Você sabe que é verdade. Bom, meu nome é Zayn, meus amigos me chamam de Z e as outras pessoas me conhecem como Hassan. É o meu sobrenome - ele diz.

Que nome bonito. Combina com ele.

- Você já se decidiu se vai ajudar ou não? Não temos o dia todo - Arthur.

Ele e Stuart são insuportáveis.

- Se vocês me falarem o que eu vou fazer - falo.

- Nos ajudar a pegar de volta o nosso dinheiro que foi roubado - Zayn diz simplesmente - tem uma parte com cada homem diferente e nós vamos ter que descobrir onde.

- Vamos roubar o dinheiro? - pergunto.

- Na verdade vamos pegar de volta o que é nosso - Max.

- Mas sem pedir - Dave.

- Vocês querem mesmo que eu vá contra a minha profissão e o meu juramento pra ajudar um grupo de bandidos a roubar? - falo chocada.

- Não nos chama de bandidos, gatinha, assim você nos ofende - Zayn faz beicinho - e você não vai contra nada. Vamos atrás de homens maus que cometeram crimes iguais ou piores que os nossos, então tecnicamente você vai estar fazendo a sua profissão.

- Enquanto ajudo vocês? - levanto uma sobrancelha.

- Só foque em pegar os caras maus - ele diz - é só o que eu quero de você.

Olho para os quatro homens a minha frente.

- O que a minha equipe vai saber de mim?

- Eles vão achar que você desapareceu no meio da confusão. Ou que fugiu, ou que foi levada de lá - Zayn.

- Eu não vou poder avisar a ninguém que estou aqui? Eu quero falar com uma pessoa - falo sobre a Stass.

- Amanhã você faz isso. Se você aceitar, vamos começar a bolar um plano agora mesmo - ele diz.

Stass vai estar ocupada com Victor então... tudo bem eu avisar a ela amanhã.

- Ok, tudo bem - falo e ele sorri - mas só porque eu não vou embora de qualquer jeito e porque quero adiantar minha ida pra casa. Não contém comigo pra executar roubo nenhum.

- Okay - eles dizem.

- E se eu bolar um plano bom, vocês vão ter que seguir sem reclamar ‐ falo - vão ter que seguir as minhas ordens e meus comandos.

Não vou receber ordens de bandidos. Não mesmo.

- Até parece - Stuart ri - receber ordens suas...

Olho pro Zayn e ele balança a cabeça.

- Atenção! - ele fala sério chamando a atenção dos quatro homens, e a minha.

Como que muda de humor assim?

- O que? - um dos meninos pergunta.

- A partir de hoje, vocês receberão ordens minhas e da detetive Bartlett. Vão aceitar sem reclamar, e não ousam contrariar uma coisinha sequer - ele fala sem um pingo de simpatia e olhando nos olhos de cada um dos homens. Como um verdadeiro líder.

Ele é o chefe dessa... facção? É isso que eles são?

- Sim, senhor - os quatro homens respondem.

Uau.

- Ótimo. Tenho certeza que ela, assim como eu, vai querer o melhor para o andamento das nossas missões. Então se eu sonhar que um de vocês desobedeceu a algum dos nossos comandos, vocês já sabem o que acontecem, né? - ele põe as duas mãos na mesa e encara os meninos.

Ele está tão sério.

- Sim, senhor.

- Ótimo. Então pra relembrar mais uma vez. Ela é a primeira e única mulher que vai poder dar ordem a vocês. Obviamente que os meus comandos ainda são os maiores, mas ela está logo abaixo de mim. Então obedeçam como se fosse uma ordem minha. Ela também é a chefe de vocês a partir de agora.

Ok, agora eu estou mais que surpresa.

Os homens concordam mais uma vez e eu olho pro Zayn ainda chocada. Ele me pisca um olho e dá um sorriso.

Como um homem consegue ser tão duro em um segundo, e sorrir assim no outro?

- Podemos começar a montar o plano? - Max pergunta.

Zayn me olha e eu assinto.

- Sim, vamos começar.

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