“Quando a rua morde, o corpo aprende de novo a soletrar perigo.” — Anotação de R.
A tarde fingiu ser inocente até o último segundo. Eu e Matheo saíamos pela lateral do prédio ― aquela porta que a gente usa quando não quer holofote ― conversando sobre onde jantar, se ele ficaria para dormir, coisas normais de gente que se ama e planeja pequenas felicidades.
Foi quando um motor urrou fora de compasso, em questão de segundos, o carro cinza saltou o meio-fio, mordeu a guia e veio reto na direção de